Novembro 08

 

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Avaliação do Intercâmbio com a Comunidade Piracicaba

PROJETO DOM HELDER CÂMARA - PDHC
SERTÃO VERDE – NÚCLEO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO SEMI-ÁRIDO

 

Comunidade Piracicaba – UPANEMA -RN

Caracterização Geral da Comunidade

 

A comunidade Piracicaba localiza-se a 20 km da sede do município de Upanema – RN. A comunidade é formada por 24 (vinte e quatro) famílias organizadas na Associação dos Produtores Rurais de Piracicaba com 39 sócios cadastrados.

No ano 2005, deu-se inicio o trabalho de assistência técnica através do Projeto Dom Helder Câmara, nesta comunidade, contribuindo para a sua organização no aspecto social através do fortalecimento da associação, orientando a formação do grupo de mulheres, grupo de jovens e orientações no aspecto produtivo em todos os sistemas existentes na propriedade.

A comunidade, durante este período, vem discutindo as dificuldades e problemas, e apontando soluções para resolvê-los, direcionando as atividades prioritárias a serem trabalhadas pela equipe técnica do Projeto Dom Helder Câmara. Uma das prioridades apontadas pela comunidade está ligada à geração de renda. A região tem potencial para a Pecuária, Apicultura, Avicultura, horticultura, fruticultura, tanto de sequeiro, como irrigada, já que a região é favorecida com bons lençóis freáticos, água de boa qualidade, e solos de fertilidade mediana. No aspecto ambiental, a comunidade é favorecida com as propriedades em bom estado de conservação de suas matas nativas, preservando a diversidade de espécies forrageiras, favorecendo a criação de animais.

Em 2006, a comunidade foi contemplada com um projeto de Apicultura financiada pela Petrobrás em parceria com o CEFET/RN, sendo hoje, a principal fonte de renda de metade das famílias.

No ano de 2007 a comunidade foi beneficiada com um projeto FISP produtivo de Ovinocultura, onde foram adquiridos 210 matrizes ovinas e 06 reprodutores ovinos, beneficiando 21 famílias, a comunidade ainda foi beneficiada com o projeto Juventude Rural, para produção de hortaliças orgânicas, beneficiando 07 jovens em uma área de 50m X 50m. Tradicionalmente, as famílias da comunidade cultivam as culturas de Feijão, Algodão, Milho, capim elefante e Sorgo; cria Galinha Caipira, Galinha D’angola, ovinos e Bovinos para a produção de leite e seus derivados.

 

Em relação à pecuária, na comunidade existe uma forte produção, com maior destaque na atividade de ovinocultura, apicultura e bovinocultura, sendo essas atividades as maiores responsáveis pela renda local.

A atividade da bovinocultura leiteira acena positivamente para a comunidade, porém, existem alguns fatores que independente do domínio da atividade, em determinadas épocas do ano, dificultando o andamento e desenvolvimento da atividade. Fatores esses que são à queda do preço no período chuvoso, a falta de equipamentos que possibilitem armazenamento do leite e a fabricação de derivados, a falta de um local para a fabricação de derivados, a redução de alimento na época de estiagem e a venda a atravessadores que acarreta em uma maior queda do preço do produto, dessa forma, inviabilizando a atividade. Portanto, devido a esses problemas, objetivou-se pelos produtores uma visita a algumas queijeiras.

Todos esses fatores levaram a equipe técnica junto com o Projeto Dom Helder Câmara e o Projeto ELO a discutir junto com os moradores uma forma mais sustentável de agregar valor ao leite e aos seus derivados.

 

No desejo de avançar na estruturação da cadeia produtiva dos derivados do leite com a comunidade, foi pensado o intercâmbio para a Fazenda Tamanduá em Patos-PB.

 
O intercâmbio na Fazenda Tamanduá: trocas de experiências e aprendizados
 

O objetivo principal desta visita a fazenda Tamanduá foi conhecer toda a cadeira produtiva da bovinocultura leiteira, abordando seus aspectos como: manejo alimentar, sanitário e reprodutivo, processamento e beneficiamento do leite e do queijo, como proceder na legalização de pequenas agroindústrias, certificação orgânica e biodinâmica, comercialização e distribuição de queijo, entre outros.

Além disso, objetivou-se a conhecer também a cadeia produtiva de caprinocultura e apicultura dentre outras atividades que possam atribuir conhecimentos e experiências para as famílias da comunidade visto que esta comunidade desenvolve diversas atividades.

A avaliação do intercâmbio realizada pelo grupo da comunidade juntamente com a equipe técnica, mostrou que de acordo com as falas dos participaram o intercâmbio foi bastante proveitoso para esclarecer sobre os processos em relação ao manejo, beneficiamento e certificação dos produtos dentro da comunidade e outros aprendizados que eles consideram válidos para implantar na comunidade.

 

Ademar (Com. Piracicaba) – Achei tudo muito maravilhoso e bem aplicado. Uma vacaria boa e estábulos bem organizados. Gostei da alimentação que eles dão aos animais, pois eles quem produzem tudo. Foi muito interessante à sala de ordenhar, “nunca tinha visto uma ordenhadeira mecânica”. Eles têm muita tecnologia coisa que não temos. “A queijeira é um negócio de cinema”. Na queijeira tem equipamentos que nunca vimos. Foi muito interessante um queijo que vende só depois de 30 dias. Tudo bem higiênico. Os queijos são bem armazenados e embalados e com rotulo coisa que não fazemos. Muito importante àquele local para se vestir e se lavar. Todas as salas têm um objetivo especifico gostei muito dessas divisões. Vi que eles guardam o soro em caixas atrás da queijeira e agente desperdiça o nosso. Um ponto negativo da queijeira foi que não provei do queijo que eles fabricam. Gostei bastante desta visita a Fazenda Tamanduá e do recebimento dos funcionários. A queijeira ideal para nós seria uma queijeira artesanal e que seja bem limpa como a que vimos na fazenda.

 

Bira (Com. Piracicaba) – Aprendi bastantes coisas novas e interessantes como por exemplo: Observei que eles fazem o raleamento de plantas que os animais não comem; Todo o alimento para os animais é produzido na fazenda; Utilizam a vazante do açude para plantar e assim economizar; Muito interessante a rotação dos animais nos piquetes e a rastreabilidade; Observei que tem bastante água perto dos animais e que e fundamental a água ser posta a vontade; Importante o controle da ração ou seja quem produz mais leite recebe mais ração e nos fazíamos o contrario; O Sr. Alan falou da importância de se secar a vaca antes da próxima cria coisa que não fazíamos; Outro ponto é que com a diminuição da ração seca a vaca; Achei muito interessante o manejo dos bezerros; Os medicamentos são todos feitos na fazenda; Separam os animais doentes dos sadios; Quando a vaca tiver com sete meses de amojo tem que ser seca; Foi a primeira vez que entrei numa queijeira desse porte; Bastante higiênica a queijeira; Existe uma diferença deles para nos que é a pasteurização, ou seja, nos não pasteurizamos fazemos logo o queijo; Nunca vi alguns equipamentos; Muito importante existir um laboratório para fazer analise do leite; Importante a higienização das vasilhas; Nunca tinha visto aquelas prensas, eles pensão todo queijo de uma vez; Nunca vi queijo que fica no processo de cura, é novo para mim; Na parte da embalagem a vácuo é um processo muito interessante e importante, pois, não podemos nem entrar devido a enorme importância do processo, porém vimos por uma janelinha; Na fazenda o soro é reaproveitado para os suínos e aqui na nossa comunidade não o reaproveitado; Outro ponto é a analise no leite já que aqui não fazemos pois não temos equipamentos; Ponto negativo não foi visto a ricota; Existem varias salas com suas devidas finalidades; A minha expectativa foi excelente porque nunca tínhamos visto algumas coisas e foram bem repassadas por Alan, Flávio e Emanuel.

No meu entender e de acordo com as nossas possibilidades a queijeira artesanal seria a que a gente pode iniciar, pois tendo um local próprio, com equipamentos adequados, higiênicos e organizados como a da fazenda tamanduá poderemos no futuro ampliar as instalações e vendermos para outros mercados.

Existe um ponto que relaciona a fazenda Tamanduá com a nossa comunidade, eles iniciaram a fazenda com o plantio de algodão igual a nos quando chegamos à Piracicaba.

 

Branca (Com. Piracicaba) – Gostei bastante de conhecer a fazenda Tamanduá, a fazenda é muito sofisticada e foge muito da nossa realidade. Espero que a queijeira que foi proposta para nossa comunidade venha ao menos com alguns equipamentos que facilitem a fabricação do nosso queijo e que possa agregar valor ao queijo.

 

Elma (Com. Piracicaba) – A queijeira é muito bonita e organizada. Existe bastante tecnologia. Gostei muito na parte de higienização, pois existe muita segurança na parte de higienização e achei bastante interessante. Eu gostaria que tivesse uma queijeira em que existisse um local adequado e com equipamentos que ajudassem na fabricação do queijo. Para que possamos aumentar mais a nossa produção e produzir queijo de uma maior qualidade e que aumentassem a renda das famílias.

 

Gilvan Júnior (Sertão Verde) – A visita a Fazenda Tamanduá foi excelente, fomos muito bem recebidos e todas as informações desde a história da fazenda até a certificação foram repassadas muito bem por Alan, Flávio e Manoel. Para mim tiveram algumas novidades como à certificação biodinâmica e o biodigestor entre outras. Sobre o manejo animal gostei bastante das explicações do veterinário Alan, pois ele repassou claramente conhecimentos aos agricultores sobre o manejo animal. Gostei bastante da queijeira, pois ela é muito organizada e bem padronizada, e foi bem apresentada por Flávio. Em conversa com os agricultores eles me relataram que esta visita a Fazenda Tamanduá foi muito boa, pois eles viram alguns erros cometidos por eles no manejo do seu rebanho e que aprenderam muito e iram repassar aos outros como foi à viagem a Fazenda Tamanduá e tentar corrigir os erros que eles cometem.

 

José Holanda (P.A. Moaci Lucena) – Uma surpresa na chegada por olhar e não ver nada logo imaginei, essa viagem toda pra não ver nada, mais quando eles começaram a falar e mostrar as áreas de produção da fazenda ai vem o encantamento de tantas coisa, vou falar alguns pontos que vi e gostei muito, mais se fosse falar de tudo era um dia inteiro pra contar. A recepção que eles tiveram com a gente e dar para notar no rosto deles que tem prazer de está explicando o que eles fazem na fazenda pra gente, o dono da fazenda manter os funcionários seus funcionários de muito tempo o respeito que ele parece tem com cada um deles, os técnicos falam numa linguagem bem prática que dar para gente entender, o respeito que a fazenda tem com meio ambiente tudo é orgânico, os animais tudo de boa qualidade, a relação que o veterinário tem com os animais em saber pelo nome é muito interessante, a produtividade da fazenda desde a alimentação ate a comercialização, a forma de criar os animais separados (caprinos e bovinos) e a organização da fazenda todo nos lugares, nunca irei esquecer a maravilha dessa fazenda. O ruim foi o tempo que ficamos lá dentro que foi pouco para ver tanta coisa.

 

Júnior (Com. Piracicaba) – Gostei bastante da visita, fiz bastantes perguntas e os técnicos Alan e Flávio responderam todas. É muito difícil nos agricultores irmos a uma fazenda tão sofisticada como a fazenda Tamanduá e sermos bem recebidos como fomos “agradeço bastante pelos ensinamentos”.  Achei muito importante a visita a esta fazenda visto que vimos de tudo desde o manejo animal que foi onde aprendi bastante até a produção de queijo. Do meu ponto de vista como fabricante de queijo de coalho, nos temos que adquirir uma queijeira artesanal visto que nossa produção de leite e baixa e que tenhamos uma estrutura boa que no futuro possamos aumentar. Hoje tenho um sonho de ter uma queijeira tão limpa e organizada como aquela. 

 

Núbia (PDHC) – A fazenda Tamanduá foi outra realidade da queijeira que vi na comunidade de cachoeira em Parelhas/RN. Na fazenda Tamanduá é tudo muito avançado com certificação orgânica e quase toda biodinâmica, as agroindústrias com SIF e SIE. O manejo que eles têm com os animais, são práticas diferenciadas já que eles trabalham organicamente, tornando tudo muito limitado, alimentação 10% que pode ser de fora e o permitido pelo IBD e 90% é produzido na fazenda, tudo muito organizado. Adorei tudo que vi uma fazenda totalmente produtiva, a recepção de todos que estiveram com agente muito boa nos deram muita atenção, tiveram toda uma preocupação para que todos entendessem as explicações sobre os trabalhos da fazenda, a dificuldade que tive foi quando eles falaram de biodinâmicos que não tinha visto nada em prática apenas já tinha ouvido falar e lido sobre o que era em livros, mais já estou procurando saber estudando esse assunto que achei muito legal. O único ponto negativo foi o tempo limitado, diante de tantas coisas pra ver e aprender. Gostaria muito ir lá novamente e poder passar mais tempo e aprender mais coisas quem sabe no consiga um estágio.

 

Raimundo (Galego do P.A. Moaci Lucena) – Bonito os animais, o acolhimento que eles tiveram com agente, as explicações bem práticas e uma coisa importante foi à fazenda ter pegado as famílias que já moravam na fazenda para continuar morando lá e trabalhando na fazenda isso é muito bonito da parte do dono.

 

Ubeleide (Com. Piracicaba) – Gostei bastante da queijeira, do local onde recebe o leite, dos tanques de pasteurizar, da higienização das vasilhas, das prensas, do laboratório que é bastante importante, da sala de cura do queijo e da sala de embalar que não podemos entrar, mas vimos o processo por uma janelinha. Achei muito interessante o processo em que o queijo passa trinta dias em descanso numa sala para depois ser embalado e vendido. Foi muito interessante ver o entreposto de mel, pois na nossa cidade existe um e lá não tem uma calha para não entrar formigas como a que tem no entreposto da fazenda. Foi uma excelente visita.

 
FICHAS DOS PARTICIPANTES DO INTERCÂMBIO
 

Ademar – Agricultor, planta culturas de subsistência para sustento da família e de seus animais na comunidade, produz queijo e vende na região além de vender leite.

 

Bira – Agricultor, apicultor, pecuarista, fabrica queijo e vende seus produtos na feira da agricultura familiar.

 


Branca – Agricultora, Apicultora e trabalha às vezes ajudando seu pai na fabricação de queijo de coalho.


Elma – Produtora tem grande apego as aves e cuida com muito carinho de todas as que criam. Trabalha às vezes ajudando seu pai e sua mãe na fabricação de queijo de coalho.


Gilvan Jr. – Engenheiro Agrônomo, produtor, técnico do Núcleo Sertão Verde e do Projeto Dom Hélder Câmara na comunidade Piracicaba em Upanema- RN.

 


José Holanda – Assentado do P. A. Moaci Lucena.

Júnior – Filho de agricultor e pecuarista. Fabrica queijo com seu pai Sr. de Rocha, e é um dos jovens que vem continuando a fabricação de queijo da família Rocha. 


Núbia – Representante do Projeto Dom Hélder Câmara no Território Sertão do Apodi-RN.

Raimundo – Assentado do P. A. Moaci Lucena.

Ubeleide – Jovem filha de agricultor, atualmente produz hortaliças com o Projeto Juventude Rural e fabrica queijo com seu pai Bira.

 

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