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Abril  de 2003


Edição de abril do Jornal Tamanduá

Uma experiência original : 
Plantio de Faveleira sem espinho

Para alimentar o gado em volumoso, encontramos soluções na Fazenda Tamanduá com o cultivo do sorgo, ensilado, e do capim mandante, dado in natura ou fenado, que suprem perfeitamente bem as nossas necessidades. O nosso desafio continua sendo encontrar boas fontes de proteínas que possam ser produzidas no semi-árido e utilizadas na ração. Atualmente, o babaçu, explorado de maneira extrativa no próximo Estado do Maranhão, e a torta de algodão oriundo das cooperativas da região, onde não existe sementes GMO, representam o grosso das proteínas utilizadas na Fazenda.

Graças aos bons contatos que estamos mantendo com o Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Campina Grande, sediado em Patos, apareceu uma oportunidade muito original: o plantio de faveleira (Cnidosculus phyllacanthus) inerme, sem espinho dito de maneira mais vulgar, seguindo os trabalhos dos professores Olaf Andreas Bakke e Eder Ferreira Arriel.

De fato, dentre as espécies florestais ocorrentes na Caatinga nordestina, sobressai-se a faveleira pela sua rusticidade. As suas folhas maduras e a sua casca servem de forragem aos caprinos, ovinos e asininos, e as suas sementes são consumidas pelos animais de criação, no campo, e pelo homem, sob a forma de óleo e farinha rica em minerais e proteína.

Manoel (Faz.Tamanduá) e o Prof.Olaf Andreas Bakke ( à direita) 
com mudas de faveleira

Folha da Faveleira

O grande problema é a presença de espinhos urticantes que dificultam o seu manejo e exploração.Graças a um trabalho cientifico demorado e complexo, a equipe da UFCG conseguiu a obtenção de mudas de faveleira sem espinhos, que foram plantadas na Fazenda Tamanduá nos últimos dias de janeiro. 

A experiência, efetuando plantios mistos de plantas inermes intercaladas com plantas armadas, será utilizada para comparar, em nível de campo, a produção de forragem e grãos destes dois genótipos. Espera-se que estas mudas sem espinhos frutifiquem mais rapidamente e apresentam um porte reduzido, facilitando a coleta e manuseio de suas sementes. 

Prof.Olaf Andreas Bakke plantando a Faveleira

Resgatando a medicina popular  para o tratamento dos bovinos  

Recentemente Raimundo Nonato de Morais, o nosso vaqueiro, foi incentivado a efetuar um inventario dos chás e garrafadas tradicionais utilizando plantas e flores da rica biodiversidade do sertão que possam tratar e curar o rebanho da Fazenda Tamanduá. De fato, os bovinos, como os humanos, dispõe na natureza de uma ampla farmacopéia fitoterápica, largamente procurada até recentemente, quando foi suplantada pelas produtos comprados nas farmácias veterinárias.

A primeira planta aprovada foi a “semente” de macela-do-sertão, Egletes viscosa(L.) Less..
Trata-se de uma erva pequena, silvestre, anual, aromática que ocorre em locais inundáveis, às margens de pequenas lagoas  e riachos.

Raimundo Nonato e a “semente” de macela-do-sertão

Utiliza-se na realidade os capítulos florais, que foram coletados, secados, embalados a vacuo afim de garantir excelentes condições de armazenamento. A partir destas “sementes de macela” se faz um chá ministrado principalmente aos bezerros em caso de cólicas e diarréias, com êxito.  

Os estudos recentes da macela, comprovaram que principio ativo principal contido nela é a ternatina que demostrou propriedades antiinflamatorias e protetoras do estômago e do fígado, justificando a sua ação antidiarréica e antiespasmódica.

Como tratamento caseiro humano, a macela é tradicionalmente utilizada em casos de problemas digestivos e intestinais, cólicas, gases, azia, má digestão, diarréia e enxaqueca, bem como nos casos de irregularidades menstruais.

(Fontes : Plantas medicinais no Brasil, Harri Lorenzi, F.J. Abreu Matos).

Sucesso do Curso de Agricultura Biodinâmica ministrado
aos colaboradores da Fazenda Tamanduá

A Fazenda Tamanduá, encontra-se em fase de conversão para obter o selo Demeter. Tornou-se portanto capital que cada colaborador seja consciente deste desafio e possa entender os fundamentos desta filosofia.

Por isso, no dia 7 de março, o nosso consultor, Richard Charity, efetuou a primeira palestra de um ciclo de quatro, destinada aos funcionários da Fazenda Tamanduá para explicar as razões da agricultura biodinâmica.Mais de 40 trabalhadores participaram do curso que teve uma ótima repercussão, provocando perguntas e debates interessantes.

Richard aproveitou este momento para parabenizar todos para o trabalho modelo efetuado até agora e pediu para continuar este esforço. Um gostoso e alegre jantar de confraternização foi servido em seguida.  

Richard Charity durante a primeira palestra

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