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Março 2002

O Jornal Tamanduá é um informativo mensal publicado no site da Fazenda Tamanduá, abordando temas de interesse da comunidade orgânica em geral assim como da comunidade da Fazenda Tamanduá.

Chuvas

Infelizmente as chuvas do mês de fevereiro não foram tão boas como as de Janeiro.

Elas não ultrapassaram 91,1 mm, quantidade razoável, mas má distribuída, já que elas ocorreram somente durante 6 dias, deixando a terra secar e as culturas recentemente implantadas sofrerem.

Apesar de tudo a pastagem artificial reagiu muito bem e o gado está vivendo na fartura.

Gado no pasto

Algodão orgânico colorido

Implantamos uma área teste de um hectare de algodão perene de fibra marrom (BRS 200) selecionado pelo Centro Nacional de Pesquisa de Algodão da Embrapa. A Embrapa, nas pessoas do Dr. Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão, "pai" da criança e o Dr. Odilon Reny Ribeiro, vão acompanhar de perto este trabalho afim de confirmar a viabilidade da cultura deste algodão nas normas orgânicas. Cerca de 70 toneladas de semente foram distribuídas no sertão e há um grande interesse na agricultura orgânica que pode providenciar substanciais benefícios para os pequenos agricultores sertanejos : melhor atenção a conservação dos solos, supressão dos defensivos e adubos químicos e melhor renda.

Algodão nascendo

A Embrapa informa que " com o surgimento de novos mercados para o algodão, a partir de 1989 a Embrapa iniciou um programa de melhoramento genético objetivando a obtenção de cultivares de algodão de fibra de cor, iniciando pelo marrom, já que se tinha variabilidade para este fator no algodão arbóreo ou mocó, singular do Nordeste do Brasil. Foram avaliados 11 acessos de algodão arbóreo de cor marrom e introduzidos outros tipos, que via seleções e cruzamentos, originaram o cultivar BRS 200- Marrom".

Para a Fazenda Tamanduá, a volta do algodão mocó, arbóreo, perene e colorido, representa uma experiência muito positiva, já que foi justamente esta cultura que nos trouxe aqui, apostando na época no binômio tradicional do sertão : gado e algodão. Analisada dentro dos parâmetros orgânicos, esta cultura oferece muitas vantagens : Particularmente bem aclimatado ao semi-árido, este algodão perene consegue agüentar os meses de seca e produzir mais de 1.200 kg por hectare. Ele tem um bom sistema radicular, estabilizando o solo durante o ciclo da cultura e tem uma boa cobertura vegetal.

algodão mocó 

Devido ao seu ciclo de 3 a 4 anos, a necessidade da arar o solo se faz somente na época do plantio, diminuindo portanto as oportunidades de provocar a erosão nos campos nordestinos geralmente de solos rasos e de topografia ondulada. Graças aos esforços de seleção da Embrapa, o período de floração, durante a qual atua o bicudo que acabou com a cultura do mocó tradicional na região, foi muito reduzido, permitindo um controle economicamente viável das pragas.

Novilhas pardo suiço alimentadas por feno 

No fim da colheita, seja nos últimos meses do ano, que coincide com o pique da seca, o gado pode ser soltado nos campos e comer as folhas dos algodoeiros, ajuda alimentar muito bem vinda neste período. A poda é efetuada em seguida.

A integração do gado é importante no processo orgânico, permitindo de realizar o composto, de dar ao sertanejo o leite de cada dia e garantir o seu capital com um bezerro por ano.

Achamos que os defensivos naturais que temos a disposição vão permitir de efetuar o controle das pragas do algodoeiro : no caso dos curuquerês e das lagartas rosadas utilizaremos o Bacillus thuringiensis; já no caso do temido bicudo, o manejo orgânico efetuado com uma boa compostagem deverá diminuir muito a incidência, baixando possivelmente sua infestação a somente 10 a 20%; se houver uma incidência maior, o óleo de nim será aplicado. Em parceria com a Embrapa será também testado o suco do agave (cultivado na região vizinha do Carirí) para o controle dos insetos.

No fim deste ano teremos então uma planilha dos custos de um hectare de algodão arbóreo orgânico, que permitirá de validar ou não esta cultura.

Capim Buffel 

Nos anos 80 a Secretaria da Agricultura e Abastecimento da Paraíba implantou um programa de fomento da cultura da capim buffel (cenchrus ciliaris) que foi decisivo para a Fazenda Tamanduá. De fato, sempre procuramos encontrar as gramíneas que se adaptadam as nossas duras condições climáticas, testando de maneira empírica muitas variedades, principalmente todos os tipos de brachiarias.

Gado na pastagem de capim buffel

O buffel é sem dúvidas a gramínea que apresentou a melhor adaptação ao semi árido da nossa região para a formação de pastagem artificial.

Após muitos testes, desenvolvemos o seguinte  sistema de plantio apropriado para a agricultura orgânica:

A terra é arada em curva de nível, deixando de 50 em 50 metros uma faixa não arada de 1 metro afim de preservar a vegetação nativa, e que pode ser parcialmente arborizada para o sombreamento e servir de quebra-vento;

a semente é misturada ao composto orgânico, ao MB4 (pó de rocha) e ao fosfato de Irecê numa proporção de 1000 kg, 500 kg e 100kg respetivamente antes de ser levada ao campo;

uma vez no campo, seguindo o tradicional sistema do algodão, ela é plantada em cova, com espaçamento de 100 por 50 cm, na quantia de uma punhada por cova. Estas covas, abertas na enxada, acompanhando as curvas de nível, permitem, em caso de chuvas parcas de manter a umidade no fundo dela, e em caso de chuvas fortes de evitar que as sementes sejam arrastadas pela água;

depois do plantio se faz uma aplicação complementar superficial de MB4 para chegar a 1500kg/ha, sendo 500 kg já usada no preparo da semente.

Procurando sistematicamente utilizar as nossa próprias sementes, bem aclimatadas, estamos colhendo a semente e guardando ela até o ano seguinte, já que o buffel tem um longo período de dormência. 

Para este fim estamos utilizando uma colheitadeira manual que permite a cada homem de apanhar até 25 quilos ao dia. A sua rápida floração e frutificação permitem mais de uma colheita de sementes na mesma área.Devido ao seu importante sistema radicular, que estabiliza os solos e evita a erosão, o buffel reage a primeira chuva, oferecendo uma alimentação para o gado muito mais cedo do que nas áreas de pastagem nativa e é, portanto, de suma importância para o nosso gado leiteiro.

colheitadeira manual 

A escola da Fazenda Tamanduá abre uma classe de Jardim

Graças ao empenho de D. Catherine junto as autoridades escolares municipal, a prefeitura de Santa Terezinha, resolveu abrir mais uma classe no Grupo Escolar da Fazenda Tamanduá, destinada as crianças de 3 a 5 anos.

Dirigida pela Professora Joelma que fez o curso de Magistério, ela foi aberta depois das férias e já atende mais de dez crianças. As condições físicas são ainda um pouco precárias, mas o Prefeito prometeu resolver todos os problemas de infra-estrutura em breve. 

A merenda comporta o leite de cabra integral e pasteurizado produzido na Fazenda.

Professora Joelma
e as crianças na nova classe do Grupo Escolar da Fazenda Tamanduá

 

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