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Outubro de 2003

Edição de Outubro do Jornal Tamanduá traz 4 novidades para você!

Fazenda Tamanduá: exemplo de Responsabilidade Social no Setor Rural

No dia 12 de agosto de 2002, a Fazenda Tamanduá foi compartilhar com os amigos de Bagé, no Rio Grande do Sul, sua história de sucesso. Um dos poucos exemplos de gestão socialmente responsável no setor rural, atravessamos o Brasil para apresentar nossas práticas de responsabilidade social. No Primeiro Seminário Regional de Responsabilidade Social, organizado pela ONG Parceiros Voluntários, falamos sobre como enfrentamos os desafios de nossa região, criando oportunidades através da inovação e potencialização dos recursos regionais. Também falamos sobre os resultados positivos da conversão DEMETER e os próximos passos rumo à formalização da responsabilidade social em nossa gestão: o selo FairTrade e a implementação da norma AA1000.

Iranise Pedro apresentando a Fazenda Tamanduá em Bagé

Participaram do Seminário Humberto Ruga, Presidente do Conselho Deliberativo da Parceiros Voluntários, falando sobre o Terceiro Setor e a Responsabilidade Social; João Vontbel e Hermes Gazzola, contando o caso do Projeto Prato Popular, fruto de uma parceria entre as empresas Vonpar e Puras do Brasil e José Airton Menezes, apresentando o caso da ASM Materiais de Construção, empresa de Bagé comprometida com a responsabilidade social.

Representando o setor público, André Imar Kulczunski, da secretaria estadual do Trabalho, Cidadania e Assistência Social, falou sobre o Projeto de Lei que pretende estimular a responsabilidade social nas empresas, que poderão optar por destinar até 75% do ICMS que pagariam ao estado diretamente à projetos sociais de sua escolha. O deputado Luis Augusto Lara, Secretário estadual de Turismo, Esportes e Lazer,  contou como a secretaria com menor orçamento do estado está revolucionando o turismo do Rio Grande do Sul através da modernização da gestão pública, dando um exemplo concreto do poder das parcerias.

Em seguida, a apresentação de Iranise Pedro, representando a Fazenda Tamanduá. E,  Encerrando as apresentações, Alceu Nascimento, diretor da Fundação Maurício Sirotsky, mostrou a campanha de comunicação da Rede RBS (Rede Globo local) e discutiu o papel fundamental da mídia para a difusão da cultura de responsabilidade social.

Para compensar o frio, a calorosa acolhida do povo hospitaleiro e gentil da bela cidade que abrigou as gravações da recente minissérie da Globo, sucesso absoluto de audiência, a Casa das Sete Mulheres. Bagé, com seus 150.000 habitantes, também é famosa por seus haras, com condições ideais para a criação de cavalos puro-sangue ingleses, e cresce na região a fruticultura e a produção de vinhos de excelente qualidade. A Fazenda Tamanduá agradece a oportunidade de levar um pouco da realidade do Nordeste para o Sul e parabeniza a Parceiros Voluntários pela iniciativa de promover o intercâmbio e aproximar essas duas regiões do nosso imenso Brasil tão diferentes em suas riquezas.
Como chegaram até nós? Maravilhas da tecnologia: a Internet tornando o mundo menor. O convite surgiu a partir de uma visita ao site da Fazenda Tamanduá!


Certificação DEMETER !

A inspeção anual da Fazenda Tamanduá pela nossa certificadora foi realizada no fim de agosto na pessoa do Sr. Pedro Jovchelevich, inspetor da Associação Biodinâmica (ABD).

Foram vários dias de trabalho, envolvendo visitas no campo, análises dos relatórios, entrevistas, conversas informais e resultou na atribuição da certificação Demeter para as mangas in natura e desidratadas.

As mangas da Fazenda Tamanduá tem o selo DEMETER

Isto é o coroamento do trabalho que vem sendo efetuado estes últimos anos na Fazenda Tamanduá, diversificando e integrando as explorações vegetais, animais e florestais, reciclando estes resíduos, utilizando os preparados biodinâmicos, procurando soluções aos difíceis problemas ecológicos, econômicos e humanos do sertão em busca da auto sustentabilidade.

Esta certificação é o resultado do empenho de toda a comunidade da Fazenda Tamanduá que merece os parabéns e os nossos calorosos agradecimentos para esta nova marca na história da fazenda. Temos ainda muitos outros desafios para frente, sabendo que esta certificação não é um fim mais a continuação de um longo processo e aventura no semi-árido nordestino.

Clique aqui para acessar o certificado DEMETER da Fazenda Tamanduá


A quadrilha

Em 1994 a comunidade da Fazenda Tamanduá resolveu festejar dignamente as festas juninas, dedicadas a São João e São Pedro, santos muito queridos e reverenciados no Nordeste.

A recém construida quadra do grupo escolar Polonordeste oferecia um lugar ideal para juntar muita gente e promover as famosas quadrilhas juninas. Como sempre, Eliete encabeçou este desafio : ela organizou um mutirão de amigas para costurar as roupas dos participantes, treinou os jovens e logo o Arraiá Tamanduá tornou-se um sucesso.

Em 1994 a comunidade da Fazenda Tamanduá resolveu festejar dignamente as festas juninas, dedicadas a São João e São Pedro, santos muito queridos e reverenciados no Nordeste.  

Quadrilha na Fazenda Tamanduá

A recém construida quadra do grupo escolar Polonordeste oferecia um lugar ideal para juntar muita gente e promover as famosas quadrilhas juninas. Como sempre, Eliete encabeçou este desafio : ela organizou um mutirão de amigas para costurar as roupas dos participantes, treinou os jóvens e lógo o Arraiá Tamanduá tornou-se um sucesso.

Inventando ano após ano novas coreografias, integrando novos passos e figuras, a quadrilha deste ano juntou 8 casais de meninos e meninas e 18 casais de adolescentes e adultos. Foram perto de 5 semanas de ensaios até o dia D. Inicialmente festa interna da Fazenda, este evento está cada vez mais freqüentado por pessoas vindos das comunidades vizinhas e da cidade de Patos virou tradição.

O Arraiá Tamanduá ocorre sempre nos meses de julho ou agosto, quando justamente os eventos festivos se fazem mais escassos. Após a apresentação das duas quadrilhas, vem o forró até o sol raiar. O prefeito de Santa Terezinha sempre oferece um apoio importante, fornecendo uma banda, que vem reforçar o Trio Tamanduá, cujos sucessos continuam animando os participantes da quadrilha e amigos.   


Você sabia ?

Durante uma grande parte do século XX, o algodão mocó, Gossypium hirsutum, foi o « ouro branco » do sertão. O Mocó, era o “cash crop” por excelência : os agricultores recebiam um bom preço por causa  do comprimento da sua fibra (de 36 a 44 mm.), além sua da torta que as usinas e cooperativas cediam a preços preferenciais em função da quantidade de algodão em caroço trazido. Isto representava uma riquissima fonte de proteina para os seus animais durante a seca.

Sendo um algodão perene, com ciclos de até 7 anos, o sertanejo não precisava arar a terra todos os anos e a baixa produtividade do primeiro ano era compensada pelo consorcio com milho e feijão. Finalmente, após a colheita, a partir do mês de setembro, já nos momentos mais críticos da seca, o gado podia comer as folhas ainda verde desta maná sertaneja antes que seja efetuada a poda. O algodão mocó movimentava uma grande parte da economia do sertão com as beneficiadoras, produzindo pluma, óleo e torta, garantindo emprego e renda a muita gente.

Resultado de um trabalho de melhoramento genético avançado efetuado pela SUDENE, sob a batuta dos Drs. Wolkmar Vasconcelos e Jacques Boulanger, a variedade C 71 se destacava pela sua produtividade que podia chegar a perto de 1.000 kg por hectare. No Estado da Paraíba este ciclo foi interompido no fim da longa seca de 1979 a 1984, que acabou com o programa de seleção e multiplicação de sementes que mantinha a Secretaria da Agricultura. A partir de 1977, e até 1984 a Fazenda Tamanduá, pertencente a Mocó Agropecuária Ltda, fazia parte com entusiasmo destes campos de multiplicação.

A chegada de sementes adquiridas fora do estado, marcou o aparecimento do bicudo, Anthonomus grandis, e iniciou o declínio e o fim do mocó.

De fato, tendo um periodo de floração muito comprido, o controle do bicudo tornou esta cultura economicamente inviável. No mesmo momento a procura para pluma de fibra longa ficou menor e os preços se alinharam com os preços do algodão de fibra curta.

Era o fim do algodão mocó.

Mas afinal porque que esta variedade de algodão se chamava « mocó » ?

Simples : a sua semente, sem línter, nua e preta, lembra as fezes do roedor, mocó, Kerodon rupestris, caçado e muito apreciado dos homens do sertão, (até sumir em certas regiões…).

Esta foto misturando sementes e fezes o comprova !

Quais são sementes?


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