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Quinta inspeção anual do
Instituto Biodinâmico, IBD |
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Pedro
Jovchelevich, gerente geral da Associação Biodinâmica (ABD) e
inspetor do Instituto Biodinâmico (IBD) para propriedades
Demeter,
acompanhado de Cláudio Rodrigues Anders, jovem inspetor de
Natal, RN, efetuou a inspeção anual da Fazenda Tamanduá nos
últimos dias 11 e 12 de março. Pedro, que realizou a nossa
última inspeção em agosto 2003, resolveu mudar as datas da
visita afim de conhecer a fazenda no momento de maior vida e
atividade agrícola, seja durante a estação chuvosa. |
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Sorgo
forrageiro |
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Acompanhado por Pierre e Manoel, Pedro conheceu assim os
diversos plantios efetuados este ano que começou felizmente
com boas precipitações : para o gado leiteiro foi plantado
sorgo forrageiro (60 hectares) que será ensilado, e,
aproveitando as imensas áreas de vazantes que a evaporação
vai liberar no decorrer do ano, o capim mandante como fonte
de ração verde, o capim andré-quicê, mais fino, destinado a
fenação, o milho e futuramente o sorgo granífero que
servirão de base para a ração. O objetivo é conseguir
diminuir a dependência da fazenda em termos de alimentação
animal, desafio complexo no semi-árido, sempre a mercê de
uma seca dramática como a do ano passado, de uma energia
elétrica cara que limita o uso da irrigação a culturas de
bom valor econômico como as mangas, e de uma falta crônica
de fontes de proteínas baratas.
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Meio hectare
de girassol foi plantado perto do melhor apiário afim de
melhorar a alimentação das abelhas. Efetuamos um plantio de 5
hectares de gergelim selecionado pela Embrapa, teste muito
valioso para uma planta herbácea altamente resistente a seca.
Dependendo da avaliação dos resultados e dos custos desta
cultura, podemos pensar em promover esta cultura o ano que vem.
De fato, ela pode representar uma excepcional opção para o
agricultor da região, já que o mercado de gergelim orgânico se
mostrou muito atraente este ano e pela falta de alternativas
para as culturas efetuadas nos tabuleiros, solos rasos e de
fertilidade baixa onde se plantava tradicionalmente o algodão. |
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Pedro
conheceu de perto o manejo em andamento das mangueiras, já
certificadas Demeter : roço, controle do bicho pau e gafanhoto,
distribuição do composto, aplicação dos preparados. Com Pedro
foram re-elaborados os calendários de aplicação dos preparados
biodinâmicos em função da realidade climática da fazenda, bem
como da fabricação deles. A sua presença foi aproveitada para
enterrar 32 chifres do preparado 501, chifre sílica, primeira
produção na fazenda. Até então tinha somente efetuado o
preparado 500 chifre-esterco. Vamos ter que intensificar as
aplicações deste último na fazenda toda, garantindo uma
dinamização perfeita e a atribuição do selo Demeter para a
fazenda inteira.
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Pedro ficou
satisfeito em constatar que as bezerras conhecidas em agosto
passado não foram mais descornadas. Este fato é importante para
o criador biodinâmico : conforme aos ensinamentos de Rudolf
Steiner “as vacas tem chifres a fim de enviar para dentro de si
aquilo que deve ter ação formativa no plano etérico-astral, isto
é, aquilo que deve avançar na interiorização até o organismo
digestivo, de modo a se criar muita atividade na área da
digestão justamente por irradiação oriunda dos chifres.”
Portanto a descorna é considerada como uma mutilação
inaceitável.
As terríveis
tabelas preparadas com atenção e carinho durante todo o ano por
Célia foram analisadas com muita cautela e não apresentaram
grandes dúvidas. |
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As
bezerras conhecidas em agosto de 2003 não foram mais
descornadas |
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Pedro mostra
a Manoel (de costas) o chifre com o preparado biodinâmico |
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Manoel, o
administrador, Alan o veterinário, Flávio o agrônomo-apicultor e
Paula, responsável do processamento do leite e das frutas, foram
todos devidamente sabatinados, mas não houve sérios problemas
levantados. A visão biodinâmica de Pedro nos ajudou a refletir
sobre muitas dúvidas e questões encontradas no dia a dia, já que
viabilizar a aplicação da filosofia antroposófica numa
propriedade deste tamanho, integrando pecuária e agricultura no
semi-árido representa um desafio para todos. Esperamos que o
temido relatório final seja favorável. De qualquer maneira, o
intercâmbio de informações dentro de uma visão positiva e
construtiva foi muito importante. Obrigado. |
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Mel Orgânico
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Na
cidade de Patos, o governador Cássio Cunha Lima assinou no
dia 11 de março quatro Convênio com o COOPERAR, na presença
da sua Diretora Sonia Germano e as Associações Comunitárias
Rurais afim de implantar um núcleo de produção orgânica de
mel no Sertão das Espinharas. Abrangendo inicialmente quatro
municípios do semi-árido, Patos, Santa Terezinha, São Mamede
e São José de Espinharas, este projeto piloto, elaborado e
acompanhado pela Fazenda Tamanduá, vai oferecer uma renda
adicional aos pequenos produtores rurais daquela região.
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O fim da
cultura do algodão mocó, por causa da presença do inseto
“bicudo” e da queda dos preços, diminuiu as fontes de renda
de muitos agricultores e a caatinga voltou a ocupar os
campos abandonados, oferecendo novas e importantes áreas de
pastagem apícola. |
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Para
iniciar o projeto, a abelha escolhida foi a “Apis Mellífera”africanizada,
mas pode se pensar incentivar a criação de abelhas nativas
num próximo futuro. A riqueza da flora da caatinga arbustiva
permite uma produção de mel de ótima qualidade e bastante
diversificada. Acompanhando a estação chuvosa que começa
geralmente em fevereiro, as florações se seguem, começando
pelo marmeleiro, depois o mufumbo, o angico, a jurema até
chegar ao período seco. Durante estes meses difíceis para
todos, precisa alimentar artificialmente as abelhas
recorrendo a uma garapa de açúcar orgânico afim de evitar a
fuga dos enxames.
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Apis
mellifera |
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As
coletas sucessivas vão permitir uma safra que foi avaliada
em perto de 20 quilos por colméia. Por causa das rígidas
normas do Instituto Biodinâmico (IBD) que vai certificar
este mel, a seleção dos novos apicultores não foi simples :
de fato um apiário orgânico tem que ficar a uma distância
mínima de três quilômetros de qualquer cultura convencional
afim de garantir a ausência de resíduos químicos no mel.
Flávio
Alves de Medeiro, jovem agrônomo especializado em apicultura
e trabalhando na Fazenda Tamanduá há perto de um ano, vai
prestar os seus conhecimentos aos produtores, que receberão
formação e treinamento específicos além do material,
financiado pelo Cooperar e o Governo do Estado. As
instalações de processamento do mel da Fazenda Tamanduá,
controladas pelo Serviço de Inspeção Federal, SIF, do
Ministério da Agricultura garantirão um produto de higiene e
qualidade perfeitos. |
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