Abril 2011 

 

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Uma nova estação eco-hidrológica na Fazenda Tamanduá para o entendimento das interações entre o clima e a vegetação na Caatinga

Raony Galvão Alves Rodrigues
 

O Professor Amilcare Porporato, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Pratt School of Engineering na Duke University, nos EUA, e seu grupo de pesquisa (Xue Feng, Stefano Manzoni e Giulia Vico) visitaram a Fazenda Tamanduá em fevereiro de 2011. O objetivo principal de sua visita foi de instalar uma estação de monitoramento eco-hidrológico numa área preservada da caatinga, o nosso eco-sistema típico de floresta sazonalmente seca. A estação monitorará e registrará continuamente a umidade e a temperatura do solo em duas covas na caatinga, a três profundidades no solo, bem como a temperatura do ar dentro da floresta. Além disso, os componentes da radiação solar (tanto a radiação usada ativamente pela vegetação para fotossíntese quanto a radiação térmica do céu e do chão), temperatura e umidade do ar, velocidade do vento e precipitação serão monitorados a cada 15 minutos numa clareira próxima. Toda a estação recebe energia de um painel solar, que é a única solução possível para um local numa área preservada, longe de cabos de energia elétrica. A área selecionada para os experimentos também é o local de investigações ecológicas e biogeoquímicas em andamento pelos Professores Rômulo S.C. Menezes, Antonio C.D. Antonino e Jarcilene A. Cortez (da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife). Os dados registrados pela nova estação eco-hidrológica serão coletados a cada duas semanas por Raony G.A. Rodrigues e Yuri Lucas da Universidade Federal de Campina Grande, em Patos.  

 

A estação eco-hidrológica foi projetada para dar sequência à coleta de dados por vários anos, a fim de avaliar os processos biofísicos neste ambiente sazonal e altamente variável. Este monitoramento a longo prazo ajudará a responder a perguntas como as seguintes: Como a variabilidade da chuva, sazonal e de ano a ano, se propaga na dinâmica da umidade e temperatura do solo numa floresta tropical sazonalmente seca? Como as flutuações sazonais afetam o dióxido de carbono no solo, na vegetação e na atmosfera, bem como os fluxos de vapor d’água, numa floresta tropical sazonalmente seca? A coleta de dados da radiação solar também será fundamental na avaliação de viabilidade de sistemas fotovoltaicos na área. Esta colaboração em pesquisa entre a Duke University, a Universidade de Recife e a Fazenda Tamanduá é uma oportunidade ímpar que levará a um melhor entendimento da intrigante dinâmica eco-hidrológica da caatinga, suas estratégias para otimizar o uso da água e lidar com o estresse hídrico, proporcionando formas de vida estáveis e bio-diversas em condições ambientais tão extremas. Esta pesquisa de longo prazo se beneficia do apoio do Instituto Fazenda Tamanduá (para a estação de monitoramento) e da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (CBET – Programa de Sustentabilidade Ambiental)

 

 

Instalação dos sensores da umidade do solo (à esquerda)
e da temperatura do solo (à direita) em uma das covas na Caatinga

 

 

 

Giulia Vico (Duke University) conversando com Raony Rodriguez e Yuri Lucas (Universidade Federal de Campina Grande em Patos) sobre os detalhes
da amostragem de dados da estação meteorológica


 

Estação Meteorológica em clareira na Caatinga

 

 

 

Amilcare Porporato descreve o funcionamento do radiômetro solar a Pierre Landolt
na recém-instalada estação eco-hidrológica.  


 

Parte do grupo de pesquisa da Duke University com Pierre Landolt
e Didier Jean em frente à estação eco-hidrológica

 

 

 

Primeiras duas semanas de dados, apresentando: radiação solar de ondas curtas (parte superior), temperaturas do ar e do solo (centro), teor relativo de água no solo
e acúmulo de chuva a intervalos de 15 minutos (parte inferior).

 

 
 

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