Dezembro 2003
 
Responsabilidade Social e Segurança no Trabalho,Aula Prática,Final Feliz, Seca

Alunos da UFCG têm aula prática na Fazenda Tamanduá

Dr.Alan Glayboon

Procurando sempre a divulgação das suas técnicas orgânicas, foi realizada uma aula prática na Fazenda Tamanduá com os alunos da Disciplina de Produção Animal do Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade Federal de Campina Grande, Campus de Patos - PB.  A turma composta de 19 acadêmicos do curso de Medicina Veterinária, sob orientação do prof. Dr. José Morais Pereira Filho, foi conduzida pelo Médico Veterinário da Fazenda Tamanduá, Alan Glayboon de Freitas Oliveira .A visita teve início com uma abordagem sobre o sistema de manejo orgânico para gado leiteiro e a rastreabilidade do rebanho, mostrando o mapa topográfico planimétrico com a localização dos lotes nos piquetes, tipo de pasto, área dos piquetes, reservas legais e particular do patrimônio natural. Em seguida, a turma foi conduzida ao campo para visita às instalações.

Foi mostrado as diferentes formulações de mistura de concentrados para atender as exigências nutricionais das variadas categorias e lotes de animais, dentro das Diretrizes do IBD, em conversão para o selo Demeter. Também foi mostrado as fontes de volumoso, silagem e feno, ofertados para o gado, e produzidos na própria fazenda. A silagem é feita de sorgo forrageiro produzido no curto período chuvoso e o feno na época da estiagem a partir da técnica sertaneja de plantio de vazantes.   Em cada momento da visita, os alunos demonstravam grande interesse e conhecimento, fazendo perguntas e comentários. Foi mostrado o composto confeccionado a partir do esterco bovino e que se caracteriza como a maior fonte de matéria orgânica usado na parte agrícola da fazenda. Foi acompanhada a ordenha mecânica, e o programa de higiene adotado na obtenção e no processamento do leite na indústria de laticínios, assim como as etapas que compreendem  a fabricação dos queijos produzidos pela empresa. Ainda houve o acompanhamento de 03 inseminações artificiais e uma explanação sobre manejo reprodutivo.

Alunos da UFCG na Fazenda Tamanduá

Finalmente, em meio aos agradecimentos e as cordiais despedidas em tom de "até a próxima", pois a Fazenda Tamanduá estará sempre de portas abertas, para futuras visitas.


 Segurança no Trabalho

Preocupada com a segurança e bem estar dos colaboradores, a Fazenda Tamanduá nas pessoas de Marcelo Ferreira dos Santos (Técnico Agrícola) e Paula Leite Silveira (Tecnologista de Alimentos) participou de mais um treinamento para PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO PARA COMPONENTES DA CIPA. A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde dos trabalhadores. Por ser uma empresa bastante diversificada, por lei a Mocó Agropecuária Ltda. não necessita da implantação de CIPA, sendo necessário apenas dois representantes treinados escolhidos pela própria empresa.

No período de 13 a 17 de outubro de 2003 foi realizado no SESI/PATOS um treinamento para os membros da CIPA, ministrado pela Técnica em Segurança de Trabalho professora Waldisa Fontes Veras (SESI/SENAI). Os participantes tiveram noções sobre normas regulamentadoras (NR-5) e (NR-6), equipamentos de proteção individual – EPI, equipamentos de proteção coletiva – EPC, inspeção de segurança, elaboração de mapas de riscos, investigação de acidentes de trabalho, análise de acidentes, campanhas de segurança, etc.

Paula Leite Silveira e Marcelo Ferreira dos Santos

O objetivo do treinamento foi justamente levar os membros da CIPA a serem sensibilizados sobre as causas e conseqüências dos acidentes, desenvolverem o senso de observação para perceberem as situações de riscos nos ambientes de trabalho e por fim procurarem conscientizar os demais colaboradores a cumprirem e fazerem cumprir as normas de segurança dentro da legislação em vigor.O curso foi um sucesso! Entretanto ainda não estamos satisfeitos, pois sabemos que nosso compromisso não é apenas com a segurança dos nossos colaboradores, como também com seu bem estar. Segurança e Assistência Médica já temos, porém como anda a realização pessoal de nossos funcionários? Necessário saber a relação do trabalhador com seu trabalho. Provavelmente aquele que vive bem consigo mesmo transmitirá esta atmosfera no ambiente de seu trabalho. Por isso a Fazenda possivelmente promoverá em dezembro do corrente ano um Workshop envolvendo temas como a AUTO-ESTIMA RESPONSABILIDADE E COMPROMETIMENTO com o objetivo de fornecer aos colaboradores as habilidades necessárias para enfocar formas de aumentar a auto-estima e suas realizações.

Uma história que acaba bem !

Em 1997 a Mocó Agropecuária conseguiu o registro da sua fábrica de laticínios no Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento sob o n°1312. Isto garantiu a comercialização dos seus queijos, tipo Saint Paulin, tipo Reblochon, e posteriormente Coalho e Ricota em todo o território nacional. Os modelos dos rótulos foram submetidos ao Ministério da Agricultura e devidamente aprovados. De lá para cá foram efetuados várias alterações, acompanhando os novos dizeres da legislação vigente. 

Em 2000, quando a Fazenda Tamanduá obteve a sua certificação orgânica para o leite, conscientes da falta de regulamentação nacional para tais produtos, resolvemos não arriscar incluir a palavra orgânica nos rótulos, coisa definitivamente ilegal, mas efetuar a justaposição do selo da nossa certificadora ao lado do rótulo registrado no SIF. Desta maneira, sem confrontar a lei, oferecemos claramente ao consumidor um elemento sobre a origem da matéria prima, o leite orgânico, diferenciando portanto o nosso queijo dos demais. Foi assim que a nossa marca “Ferme Tamanduá” ficou reconhecida em todo o país como a do único queijo que possuía tanto o SIF como um selo orgânico, dupla garantia de qualidade.

 

Porém, nos últimos dias de outubro recebemos do MAPA um ofício nos obrigando a retirar o selo do IBD até o dia 3 de novembro, já que esta certificadora não se encontra cadastrada no Ministério. Esta medida ia causar um grande prejuízo de imagem para o nosso produto além de provocar perdas econômicas importantes, desestabilizando o consumidor que confia num produto exclusivo possuindo tanto a garantia do MAPA através do SIF, como da certificação orgânica garantida pelo IBD.

Com o crescimento acelerado dos produtores certificados no Brasil, parte deles possuindo também um registro no DIPOA ou DDIV, a falta de legislação nacional provocou esta crise que era inevitável, e precisava ser resolvida claramente para o bem do consumidor e dos produtores. Juntando o caso da Fazenda Tamanduá aos outros existentes, este fato foi levado por vários meios ao Ministro Roberto Rodrigues e aos seus assessores que sabiamente resolverem encontrar uma solução provisória ao impasse atual até estabelecer normais nacionais regulamentando o setor orgânico e efetuando o devido credenciamento das certificadoras existentes.

Assim, no dia 30 de Outubro, o Memo/SDA/n°1818/2003 do Dr. Maçao Tadano, Secretário da Defesa Agropecuária, indicou que :“Como nos encontramos numa etapa de ajustes finais para a implementação dos sistema de certificação orgânica oficial e as questões relativas à rotulagem estarão a partir dai regulamentadas, entendemos que devemos aguardar tais providências. A obrigatoriedade da retirada dessas identificações poderia causar enormes prejuízos aos seus fabricantes e dúvidas junto aos consumidores suscitando interpretações de toda ordem quanto a qualidade do produto como orgânico.”  Graças a este memorandum, fomos dispensados de retirar a etiqueta do IBD, até a publicação das tão esperadas novas normas para o setor orgânico. Mais uma vez o Ministro Roberto Rodrigues mostrou a sua visão pragmática do setor agropecuário brasileiro onde podem conviver todos os tipos de agricultura e pecuária para o bem do país que só tem a ganhar com esta diversidade de sistemas de produção, deixando ao consumidor bem informado a escolha final.


A Seca

A Fazenda Tamanduá e o Nordeste brasileiro enfrentaram mais uma vez um ano complicado : 2003 foi um ano de seca. De fato se a média anual de Patos é de 700 mm., durante o “inverno” de fevereiro a abril, recebemos apenas 468 mm. O pior é que foi uma “seca verde” : as precipitações máximas não ultrapassaram 50 mm. de uma vez, impedindo assim de encher os reservatórios espalhados na fazenda toda, os açudes. Em compensação deu para completar um ciclo de sorgo que foi ensilado para alimentar o gado leiteiro.

Em abril, o início da seca natural nos pegou com uma acúmulo  mínimo de água  nos açudes, comprometendo não somente a irrigação das mangueiras bem como o plantio do capim destinado a produção do feno ou da água de beber para homens e animais, além da pesca que garante aos moradores uma fonte de alimentação saudável e variada.

Percebendo que as mudanças climáticas não eram uma ficção, tínhamos resolvido acelerar a construção de barragens de terra nos riachos cujas nascentes se encontram na fazenda, afim de reter  maior quantidade de água. Foram construídos mais duas barragens de pequeno porte, e  uma com um volume de 24.000 m3 de terra, barrando o Riacho da Conceição que atravessa toda a fazenda. Na sua versão atual, o Açude Mocó poderá armazenar perto de 650.000 m3 de água. Munidos finalmente de todas as autorizações legais e obrigatórias, começamos a obra no início da estação chuvosa, com muito receio, já que as enchentes e a violência deste riacho podiam a qualquer momento destruir a obra em andamento. Ora, a água do rio correu uma só manhã , sem causar nenhum dano ou atraso na construção, fato que nunca havia sido visto, já que as águas deste riacho, saindo do seu leito, inundavam  freqüentemente o baixio. O alicerce cavado até a rocha desceu a mais de 6 metros de profundidade. Com uma altura de 7 metros acima do solo foi construída uma formidável barragem, mas que se encontrou seca quando acabada ...

Açude seco
 

 

Etapas da construção

Nesta hora, as águas retidas em três barragens destinadas à irrigação das mangueiras não representavam mais de quatro meses de uso. Fomos portanto obrigados a encontrar outros meios para garantir a safra. Começou então uma busca frenética    às águas subterrâneas, cavando poços tubulares a uma profundidade média de 40 metros.

Nem todos ofereceram uma vazão satisfatória, acima de 3.000 litros/hora, e infelizmente a maioria se encontrou situada perto do curral, distante de 4,5 quilômetros do pomar das mangueiras. Tivemos assim que juntar todas estas águas num “piscinão” de 50 m3 e de lá, bombear a água por uma adutora formada por dois tubos de 4 polegadas até as mangueiras.

Obra faraônica que cortou todo o nosso baixio com uma valeta em média de 1,20m. de profundidade, mas permitiu colher uma safra de manga razoável, com uma quebra final de 24%, devido a média de peso das frutas que foi menor.

Iremos começar o ano de 2004 com todos os reservatórios secos, embora tenhamos perto de  5.600.000 m3 acumuláveis.
A experiência popular garante invernos bons todos os anos “em 4”. Verificando o índice das chuvas desde o início do século podemos verificar que esta crença não está totalmente equivocada : 1924 : 2.352mm; 1934 : 1.006mm; 1944 : 654mm; 1954 : 636mm; 1964 : 792mm;  1974 : 1.477mm; 1984 : 813mm.; 1994 : 933mm.; 2004 ?

Portanto vamos apelar para que a estação chuvosa se normalize (após 7 anos de chuvas irregulares durante as quais os açudes não chegaram a “sangrar”) para permitir a continuação da nossa aventura sertaneja...

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