Fevereiro 08

 

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Saudades !
 

Elizeu Campos

Os velhos amigos que iniciaram a aventura da Fazenda Tamanduá comigo 33 anos atrás, estão me abandonando...
É nestes momentos que percebe-se o avanço inexorável da idade e a fuga do tempo !

Elizeu Campos, vaqueiro emérito, que conhecia a genealogia de cada vaca e domava potros, exímio forrozeiro, acabou falecendo após uma longa doença.

Ele tinha deixado o hospital de Campina Grande para voltar para a casa dele na Fazenda.

Lá ele presenciou ainda a primeira chuva do ano em dezembro (70 mm. !), fonte de alegria de todo sertanejo antes de fechar os olhos para sempre o dia seguinte, com toda a sua família ao seu lado.

A sua família, que toda reside ou residiu na Fazenda, apresentamos os nossos sinceros pêsames pela perda de um marido, pai e avó, que representava para toda a comunidade um homem excepcional e querido.    

 

Felizmente, Fernando Rocha, ele, vai ter a oportunidade de viver uma merecida vida de aposentado na cidade de Patos. Apreciado por todos, ele era um pouco o pai da Fazenda, conhecendo todos os detalhes da história dela, sendo o mais antigo morador dela. Com uma memória excepcional ele contava com gosto as peripécias do passado. A sua lendária bondade como a dedicação de Dona Luiza, que foi a primeira professora municipal de Fazenda, serão lembrados com saudade por todos !

 

Antes de deixar a casa dele na Fazenda, ele chegou a escrever este depoimento emocionante, que dá sentido a minha ação destes 33 anos passados e força e fôlego para o futuro.

 
 

“Eu Fernando Rocha, me casei no ano de 1962 com a jovem Luiza Lopes.
No ano de 1965 viemos morar no sítio Conceição hoje Fazenda Tamanduá.

Chegamos no dia 23 de dezembro de 1965, era um dia de sábado. Na segunda fui a a pé para a feira de Patos onde eu comprava pele de animais de onde eu tirava o sustento de minha família.

As coisas foram muito ruim, e a tarde quando vinha embora comprei uma curimatã para jantar e uma toalha de mesa que não tinha. Chegando em casa, foi uma festa e Luiza preparou o peixe que foi uma maravilha !

Do ano de 1965 a 1977 foi de muita dificuldade, as coisas muito difíceis,
o patrão não ajudava, trabalho não tinha.

Nós tínhamos duas filhas. Fome não passamos mas muito aperreio de vida. Célia tinha 2 anos e Céu recém-nascida. Nós não tinha nada. Não podia comprar nem uma lata de leite, mas nós  tínhamos um vizinho; o nome dele era Seu Jose Aurélio que teve pena de minhas filhas. Nos deu uma cabra que todos os dias eu tirava o leite e como era pouco, a gente colocava mais um pouquinho de água para aumentar e poder dá para passar o dia.

Fernando Rocha, as filhas Célia e Maria do Céu, e sua esposa Luiza
1975

 

Foi um milagre, e até hoje eu agradeço a Deus e a Seu Jose Aurélio pelo o que ele fez por nos ! Morava em uma casa de taipa caindo, a noite a chuva vinha e as paredes caiam. Luz também não. Gás não podia comprar; a noite queimava pneu para clarear. Não gosto nem de me lembrar.

 

Mas no ano de 1977, Deus enviou um homem com o nome de Dr. Pierre que comprou a Fazenda e daí em diante tudo mudou.

Só foi luz ! As portas se abriram e uma estrela brilhou ! Tudo clareou e não faltou mais nada : dinheiro, trabalho. Minhas filhas cresceram e estudaram, tudo com ajuda de Dr. Pierre

Hoje a minha vida mudou : minha filha Célia trabalha com ele é uma honra para mim, eu me sinto realizado e a caçula, bem casada e mora em São Paulo.

Vou deixar a fazenda porque a idade me pede para eu parar. Gostaria de ter 50 anos para trabalhar mais 20 com o Sr.. Dr. , mas já esta bom : 30 anos atras eu nada tinha; hoje tenho 2 casas na rua e um carro para passear com minha velha a quem tanto amo.

Dr. Pierre vou partir com lagrimas nos olhos e levando muita saudade.
Mais uma vez o meu muito obrigada dos seus amigos Fernando e Luiza. “

 

Fernando e Luiza
2009

 


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