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Fauna de Morcegos (Mammalia: Chiroptera) da
Fazenda Tamanduá:
levantamento e monitoramento na Caatinga do
sertão Paraibano |
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Desde maio de 2011, os pesquisadores Edson Silva Barbosa Leal
(Biólogo, Especialista em Zoologia e Mestrando em Ecologia),
Paulo Barros de Passos Filho (Biólogo, Mestrando em Ecologia e
Gestor Ambiental do Instituto Fazenda Tamanduá) e Priscila
Fernanda da Silva (Estudante do curso de Bacharelado em Ciências
Biológicas) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE),
Campus Dois Irmãos, da cidade de Recife, Pernambuco, sob as
orientações dos professores-pesquisadores Dr. Wallace Rodrigues
Telino-Júnior (UAG/UFRPE), Dra. Rachel Maria de Lyra Neves (UAG/UFRPE),
Dr. Geraldo Barbosa de Moura (UFRPE/Sede) e Dr. Deoclécio de
Queiroz Guerra (Depto. De Zoologia, CCB, UFPE) estão realizando
o inventário da fauna de morcegos da Caatinga da Fazenda
Tamanduá, a qual detém 3.073 ha, dos quais cerca de 1.000 são de
área protegida (350 ha de RPPN e 614 ha de Reserva Legal). |
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Contando também, com o apoio imprescindível do proprietário da
fazenda o Dr. Pierre Landolt, os pesquisadores já registraram e
catalogaram até o momento, após sete meses do início dos
trabalhos na área, 16 espécies de morcegos, pertencentes a
quatro famílias: Phyllostomidae (11), Molossidae (2),
Vespertilionidae (2) e Emballonuridae (1) e cinco guildas
tróficas (insetívoro, frugívoro, nectarívoro, hematófago,
carnívoro).
Utilizando a metodologia de capturas com o uso de redes-de-neblina (mist-nets) e busca ativa diurna por
abrigos, já foram realizados entre as espécies ocorrentes, dois
primeiros registros para a porção do domínio morfoclimático da
Caatinga no estado da Paraíba, cujos artigos redigidos e
submetidos a revistas científicas encontram-se em fase de
tramitação. |
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Diphylla ecaudata
– morcego hematófago de aves |
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Desmodus rotundus – Morcego hematófago de mamíferos
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Com uma riqueza singular e que pode aumentar substancialmente
após a confirmação de novos registros feitos recentemente, a
quiropterofauna da Fazenda Tamanduá mostra-se ainda
desconhecida, uma vez que a curva de acumulação de espécies não
atingiu, ainda, uma assíntota, a qual demonstra que outras podem
vir a ser registradas conforme os trabalhos continuem.
Além
disso, o presente estudo passará a tomar a partir de janeiro de
2012, novos rumos, com o início dos trabalhos de monitoramento
das populações de morcegos existentes na FT, especialmente da
espécie hematófaga Desmodus rotundus (E. Geoffroy, 1810),
conhecida vulgarmente como morcegos-vampiro-comum, uma vez que
esta espécie pode potencialmente se envolver diretamente, quando
infectada, na transmissão da raiva dos herbívoros
(encefalomielite aguda letal) aos animais de criação (gado
bovino, caprino, suíno, ovino). |
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Zelando pela integridade do plantel que possui e visando
demonstrar publicamente que além de vacinar
periodicamente seus animais de criação, os quais dão
origem a diversos lacticínios (derivados do leite),
contra essa enfermidade, que pode por em cheque a imagem
dos produtos produzidos por qualquer agricultor, a
Fazenda Tamanduá, conhecida nacionalmente por praticar a
sustentabilidade há mais de 30 anos, se preocupa,
também, em pesquisar e monitorar a comunidade de
morcegos que abriga, evitando a circulação do vírus
rábico (gênero Lyssavirus; Família Rhabdoviridae)
não só em meio as populações de hematófagos, mas também
daquelas espécies não hematófagas. |
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Atualmente, os morcegos não-hematófagos assumiram grande
importância na epidemiologia da raiva no Brasil, sendo
os principais transmissores desta aos seres humanos no
país, os dirigentes da propriedade mediante interesse
externado ao pesquisador Edson Leal, responsável pelo
trabalho e estudioso desses mamíferos alados desde
meados de 2006, decidiram fazer deste umas das
principais ações a serem realizadas pelo Instituto
Fazenda Tamanduá a partir do próximo ano.
O trabalho de monitoramento terá provavelmente uma duração de
quatro anos, com visitas mensais de oito dias a área, e
envolverá o anilhamento dos animais, o qual possibilitará
estimar o tamanho das populações, padrões e períodos
reprodutivos das diversas espécies de morcegos (incluindo a
determinação da fase de recrutamento dos filhotes), razão
sexual, reter algumas amostras que serão encaminhadas ao
Laboratório Nacional Agropecuário (LANAGRO), secção Pernambuco,
em Recife, para a realização dos exames laboratoriais de raiva,
através das técnicas conjuntas de Imunofluorescência Direta (IFD)
e Inoculação Intra-cerebral em Camundongos (IICC), prova
biológica, (as quais levam 45 dias para emitirem um diagnóstico
seguro por amostra entregue, pois em animais silvestres o vírus
apresenta um período de incubação maior que 21 dias), determinar
a distância percorrida a partir dos abrigos encontrados durante
os vôos de atividade noturna.
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Priscila anotando os dados bionômicos
(idade, sexo, estágio
reprodutivo)
e biométricos (medidas externas) tomados por Edson. |
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Enfim, compor um mapa visual da
dinâmica da comunidade de morcegos da área, de modo, a saber,
como esses animais, que compõem a maior parcela da mastofauna em
levantamentos de mamíferos e que se destacam por realizar
serviços ecossistêmicos de suma importância (atuando como
agentes polinizadores e dispersores de sementes de inúmeras
espécies vegetais, controladores das populações de diversos
animais, principalmente de insetos voadores noturnos, incluindo
pragas de lavouras e vetores de doenças; e servindo como fontes
de alimentos para outros animais), usam e se adaptam ao espaço,
bem como o controle de uma possível ameaça de vírus rábico
circulante entre as populações de morcegos da comunidade local.
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Por Edson Silva Barbosa
Leal
Biólogo, CRBio 67.015/05-D
E-mail: edsonsbl@yahoo.com.br |
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