Fevereiro 2012

 

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Fauna de Morcegos (Mammalia: Chiroptera) da Fazenda Tamanduá:
levantamento e monitoramento na Caatinga do sertão Paraibano

 

Desde maio de 2011, os pesquisadores Edson Silva Barbosa Leal (Biólogo, Especialista em Zoologia e Mestrando em Ecologia), Paulo Barros de Passos Filho (Biólogo, Mestrando em Ecologia e Gestor Ambiental do Instituto Fazenda Tamanduá) e Priscila Fernanda da Silva (Estudante do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Campus Dois Irmãos, da cidade de Recife, Pernambuco, sob as orientações dos professores-pesquisadores Dr. Wallace Rodrigues Telino-Júnior (UAG/UFRPE), Dra. Rachel Maria de Lyra Neves (UAG/UFRPE), Dr. Geraldo Barbosa de Moura (UFRPE/Sede) e Dr. Deoclécio de Queiroz Guerra (Depto. De Zoologia, CCB, UFPE) estão realizando o inventário da fauna de morcegos da Caatinga da Fazenda Tamanduá, a qual detém 3.073 ha, dos quais cerca de 1.000 são de área protegida (350 ha de RPPN e 614 ha de Reserva Legal).

 

Contando também, com o apoio imprescindível do proprietário da fazenda o Dr. Pierre Landolt, os pesquisadores já registraram e catalogaram até o momento, após sete meses do início dos trabalhos na área, 16 espécies de morcegos, pertencentes a quatro famílias: Phyllostomidae (11), Molossidae (2), Vespertilionidae (2) e Emballonuridae (1) e cinco guildas tróficas (insetívoro, frugívoro, nectarívoro, hematófago, carnívoro).

Utilizando a metodologia de capturas com o uso de redes-de-neblina (mist-nets) e busca ativa diurna por abrigos, já foram realizados entre as espécies ocorrentes, dois primeiros registros para a porção do domínio morfoclimático da Caatinga no estado da Paraíba, cujos artigos redigidos e submetidos a revistas científicas encontram-se em fase de tramitação.

Diphylla ecaudata – morcego hematófago de aves

 

Desmodus rotundus – Morcego hematófago de mamíferos

Com uma riqueza singular e que pode aumentar substancialmente após a confirmação de novos registros feitos recentemente, a quiropterofauna da Fazenda Tamanduá mostra-se ainda desconhecida, uma vez que a curva de acumulação de espécies não atingiu, ainda, uma assíntota, a qual demonstra que outras podem vir a ser registradas conforme os trabalhos continuem.

Além disso, o presente estudo passará a tomar a partir de janeiro de 2012, novos rumos, com o início dos trabalhos de monitoramento das populações de morcegos existentes na FT, especialmente da espécie hematófaga Desmodus rotundus (E. Geoffroy, 1810), conhecida vulgarmente como morcegos-vampiro-comum, uma vez que esta espécie pode potencialmente se envolver diretamente, quando infectada, na transmissão da raiva dos herbívoros (encefalomielite aguda letal) aos animais de criação (gado bovino, caprino, suíno, ovino).

 

Zelando pela integridade do plantel que possui e visando demonstrar publicamente que além de vacinar periodicamente seus animais de criação, os quais dão origem a diversos lacticínios (derivados do leite), contra essa enfermidade, que pode por em cheque a imagem dos produtos produzidos por qualquer agricultor, a Fazenda Tamanduá, conhecida nacionalmente por praticar a sustentabilidade há mais de 30 anos, se preocupa, também, em pesquisar e monitorar a comunidade de morcegos que abriga, evitando a circulação do vírus rábico (gênero Lyssavirus; Família Rhabdoviridae) não só em meio as populações de hematófagos, mas também daquelas espécies não hematófagas.

 

Atualmente, os morcegos não-hematófagos assumiram grande importância na epidemiologia da raiva no Brasil, sendo os principais transmissores desta aos seres humanos no país, os dirigentes da propriedade mediante interesse externado ao pesquisador Edson Leal, responsável pelo trabalho e estudioso desses mamíferos alados desde meados de 2006, decidiram fazer deste umas das principais ações a serem realizadas pelo Instituto Fazenda Tamanduá a partir do próximo ano.

O trabalho de monitoramento terá provavelmente uma duração de quatro anos, com visitas mensais de oito dias a área, e envolverá o anilhamento dos animais, o qual possibilitará estimar o tamanho das populações, padrões e períodos reprodutivos das diversas espécies de morcegos (incluindo a determinação da fase de recrutamento dos filhotes), razão sexual, reter algumas amostras que serão encaminhadas ao Laboratório Nacional Agropecuário (LANAGRO), secção Pernambuco, em Recife, para a realização dos exames laboratoriais de raiva, através das técnicas conjuntas de Imunofluorescência Direta (IFD) e Inoculação Intra-cerebral em Camundongos (IICC), prova biológica, (as quais levam 45 dias para emitirem um diagnóstico seguro por amostra entregue, pois em animais silvestres o vírus apresenta um período de incubação maior que 21 dias), determinar a distância percorrida a partir dos abrigos encontrados durante os vôos de atividade noturna.

Priscila anotando os dados bionômicos
(idade, sexo, estágio reprodutivo)
e biométricos (medidas externas) tomados por Edson.

 

Enfim, compor um mapa visual da dinâmica da comunidade de morcegos da área, de modo, a saber, como esses animais, que compõem a maior parcela da mastofauna em levantamentos de mamíferos e que se destacam por realizar serviços ecossistêmicos de suma importância (atuando como agentes polinizadores e dispersores de sementes de inúmeras espécies vegetais, controladores das populações de diversos animais, principalmente de insetos voadores noturnos, incluindo pragas de lavouras e vetores de doenças; e servindo como fontes de alimentos para outros animais), usam e se adaptam ao espaço, bem como o controle de uma possível ameaça de vírus rábico circulante entre as populações de morcegos da comunidade local.

 

Por Edson Silva Barbosa Leal
Biólogo, CRBio 67.015/05-D
E-mail: edsonsbl@yahoo.com.br

 

 
 

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