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Março 08 |
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CARNÍVOROS
DA CAATINGA
Autora:
Cláudia Bueno de Campos – Bióloga, consultora do Instituto
Pró-Carnívoros.
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Em
vários grupos biológicos podemos encontrar espécies com o hábito de se
alimentar de outros animais. Esse hábito é denominado carnívoro. Assim,
podemos encontrar aves, peixes, répteis, insetos e até plantas carnívoras.
Porém, na classificação científica os carnívoros constituem uma ordem de
animais (Ordem Carnivora) que pertence ao grupo dos mamíferos (Classe
Mammalia). As principais características que diferenciam os mamíferos dos
outros grupos animais são a presença de glândulas mamárias, pêlos e a
capacidade de regular a temperatura corporal (animais de sangue quente). |
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Os
carnívoros receberam esta classificação devido ao hábito de se alimentarem
de animais vivos, apesar de alguns ainda manterem a dieta totalmente
carnívora, outros se adaptaram aos diversos tipos alimentos disponíveis em
seus habitats. Isto explica o fato de algumas espécies se alimentarem
tanto de outros animais quanto de vegetais.
São animais
predadores dotados de uma estrutura física e fisiológica que garantem na
maioria das vezes, o sucesso de suas ações de caça de que sua
sobrevivência depende.
São inteligentes ágeis, fortes, dotados de poderosas garras e dentes
afiados para rasgar a pele e a carne de suas presas. São animais que se
encontram no topo da cadeia alimentar, por isso exercem uma influência em
sua estrutura através da predação das espécies necessárias para sua
sobrevivência.
Sendo assim, as espécies da Ordem Carnivora se tornam importantes
indicadores da integridade dos ecossistemas, realizando um importante
papel para o funcionamento natural dos mesmos. |
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Puma yagouaroundi, nomes comuns: jaguarundi,
gato-mourisco, gato-azul ou gato-vermelho. |
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As espécies integrantes da Ordem Carnivora estão largamente distribuídas
pelo mundo, formando quinze famílias, das quais seis podem ser encontradas
no Brasil (Canidae, Felidae, Mephitidae, Mustelidae, Procyonidae e
Otarridae). Nessas famílias são identificadas 29 espécies e destas, 17 são
encontradas na Caatinga, o principal bioma do nordeste brasileiro (Quadro
1) e um dos mais ameaçados do Brasil. Dentre as espécies presentes neste
bioma estão dois dos maiores predadores do mundo, a onça-pintada ou jaguar
(Panthera onca) e a onça-parda ou puma (Puma concolor). |
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Quadro 1 - Lista das espécies de carnívoros encontrados no Bioma
Caatinga e dos mamíferos de médio e grande porte registrados na
Fazenda Tamanduá em janeiro de 2008. |
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Ordem |
Família |
Nome científico |
Nome comum |
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Artiodactyla |
Cervidae |
Mazama gouazoubiraT |
Veado-catingueiro |
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Carnivora |
Canidae |
Cerdocyon thousT |
Cachorro-do-mato ou raposa |
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Chrysocyon brachyurus |
Lobo-guará |
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Pseudalopex vetulus |
Raposa-do-campo |
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Speothos venaticus* |
Cachorro-vinagre |
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Felidae |
Leopardus pardalisT |
Jaguatirica |
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Leopardus tigrinusT |
Gato-do-mato-pequeno |
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Leopardus wiedii |
Gato-maracajá |
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Puma concolor |
Puma, onça-parda, onça-vermelha |
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Puma yagouaroundiT |
Gato-mourisco, jaguarundi, gato-vermelho |
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Panthera onca |
Onça-pintada |
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Mephitidae |
Conepatus semistriatus |
Jaritataca, gambá |
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Mustelidae |
Eira barbara |
Irara, papa-mel |
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Galictis vittata |
Furão-grande |
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Galictis cuja |
Furão-pequeno |
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Lontra longicaudis |
Lontra |
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Procyonidae |
Nasua nasua |
Coati ou quati |
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Procyon cancrivorusT |
Mão-pelada, guaxinim, guará |
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Cingulata |
Dasypodidae |
Euphractus sexcinctusT |
Tatu-peba |
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Rodentia |
Caviidae |
Kerodon rupestres |
Mocó |
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T = Mamíferos registrados na Fazenda Tamanduá.
* Speothos venaticus (cachorro-vinagre): esta espécie não foi
registrada numa região de caatinga, mas sim numa região denominada ecótono,
ou seja, de transição entre vários tipos de vegetação e que uma delas é a
caatinga. Por isso, citamos aqui a ocorrência da espécie. |
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Apesar de sua
importância ecológica, a grande maioria dos carnívoros está ameaçada
por várias formas de pressão provindas de atividades humanas, como a
caça esportiva, a caça para comércio ilegal de peles e tráfico de
animais vivos e a caça praticada por produtores rurais devido a danos
econômicos causados às criações domésticas.
Entretanto, a destruição ou alteração de seus habitats para os mais
variados fins como construção de rodovias, retirada de madeira ilegal
e plantações desordenadas são as principais ameaças para esse grupo,
que pode ocasionar, entre outros danos, a redução no número de presas
local, a diminuição da área de uso e a redução da troca de material
genético.
Por isso, pesquisas para coleta de dados sobre carnívoros nas diversas
abordagens como por exemplo hábitos alimentares, comportamento
reprodutivo, genética, distribuição, conflitos com humanos, são
importantes para a obtenção de conhecimentos que podem ser utilizados
como base para planos de ações de conservação das espécies de
predadores, das presas e da região estudada, redução de conflitos
humanos/predadores, auxiliando também na redução de perdas econômicas. |
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Divisão das
principais regiões brasileiras e destaque para o Bioma Caatinga. |
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Seguindo a tendência de ações que visam a conservação dos recursos
naturais implantadas por diversas instituições privadas do Brasil e do
mundo, a Fazenda Tamanduá (2500 ha), localizada em Santa Terezinha-PB,
tomou mais uma iniciativa de buscar informações sobre a fauna existente no
local, realizando um levantamento da fauna de mamíferos de médio e grande
porte, feito pelo Instituto Pró-Carnívoros (www.procarnivoros.org.br), com
apoio técnico do CENAP/ICMBio, cujas espécies identificadas na primeira
fase do trabalho foram Cerdocyon thous, Euphractus sexcinctus, Kerodon
rupestres, Leopardus pardalis, L. tigrinus, Mazama gouazoubira,
Puma yagouaroundi, Procyon cancrivorus, e, destacadas no Quadro 1 pela
letra “T”. Este trabalho atualizará a lista de espécies encontradas na
região, demonstrando que é possível recuperar a fauna de uma área e,
conseqüentemente a biodiversidade local, assim como e poderá ser
utilizado como base para futuras pesquisas científicas. |
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Leopardus
pardalis,
nome comum: jaguatirica. Indivíduo fotografado durante levantamento
das espécies de mamíferos da Fazenda Tamanduá (Jan.2008). |
Cerdocyon thous,
nome comum: cachorro-do-mato ou raposa, fotografado durante
levantamento das espécies de mamíferos da Fazenda Tamanduá (Jan.2008). |
Procyon
cancrivorus,
nome comum: guaxinim, guará ou mão-pelada,
fotografado durante levantamento das espécies de mamíferos da Fazenda
Tamanduá (Jan.2008). |
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Dentro do histórico da fazenda, que é uma referência em agricultura
orgânica e biodinâmica e mantém preservado quase um terço da área da
mesma, entre uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) de 325
hectares e áreas de reserva legal, podemos encontrar informações de ações
de preservação da fauna e flora, demonstrando a preocupação de seu
proprietário, Sr. Pierre Landolt, com o meio ambiente do sertão
nordestino. |
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A proibição da
caça desde o início da compra da fazenda, no início dos anos 70, foi o
primeiro impacto local positivo, pois permitiu ao longo do tempo a
recuperação das populações dos animais existentes, restabelecendo
assim o equilíbrio da cadeia alimentar local, demonstrando a
importância deste tipo de atitude. Desde 1999, três trabalhos foram
realizados na fazenda.
O primeiro foi com
aves (Publicação: Aves da Fazenda Tamanduá, R.M.L. Neves e W.R. Telino
Júnior), depois A.C.A. Moura realizou um trabalho sobre mamíferos (não
publicado) e em 2000 foi realizado e publicado um levantamento
fitossociológico da RRPN por L.V.C. Araújo.
Continuando as
ações de conservação, o mocó (Kerodon rupestres), um roedor
típico das regiões de rochosas da caatinga, foi reintroduzido com
sucesso em algumas áreas onde não era mais visto. |
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Mocó: cada animal
recebeu uma anilha com número específico e foi devidamente
fotografado |
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Bibliografia:
CAUGHLEY, G.; Sinclair, A.R.E. 1994. Wildlife Ecology and
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