Março  2010 

 

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Safra de manga na Fazenda Tamanduá

Estamos chegando no fim da safra de manga que representa uma boa parte da renda da Fazenda Tamanduá. O polo fruticultor da Fazenda Tamanduá, certificado desde 2000 é o maior do Brasil para a produção de mangas biodinâmicas, posuindo os selos Demeter do IBD e GlobalGap da OIA Brasil.

A própria Fazenda Tamanduá comporta 30 hectares irrigados por gotejamento, com duas variedades, Tommy Atkins e Keitt. Estamos aumentando a nossa percentagem de mangas Keitt graças a um processo de re-enxertia.

Além desta área estamos trabalhando num pomar arrendado de 14 hectares em Itaporanga a menos de 100 km. da fazenda, certificado também, e três pequenos produtores integrados, que recebem certificação e orientações técnicas da Fazenda Tamanduá, com respectivamente 3 ha., 4ha. e 5 ha. A capacidade atual de produção é de 100.000 caixas de 4 kg para a exportação, 100 toneladas para o mercado interno e 60t. de refugo.

Para efetuar a colheita e todos os trabalhos relativos, além de 25 funcionários da fazenda, foram contratados 30 homens e 30 mulheres morando na vizinhança. Neste período do ano, de outubro a janeiro, o mais seco, não tem atividades econômicas ou agrícolas no campo. Os salários são os mesmos para ambos os sexos, e são assinados contratos de safra bem como efetuados todos os procedimentos do Programa de Saúde Ocupacional.

 
A colheita passo a passo
 

A fim de garantir a rastreabilidade das mangas, tanto para a certificação Demeter como a GlobalGap, elas são colhidas semanalmente no campo, identificando área por área.

Levadas em contentores são pesadas para obter a produtividade por hectare.

Elas são encaminhadas para um galpão comportando mesas especiais. Senhoras e jovens, uniformizadas, cortam o pedúnculo das mangas e as botam cabeça para baixo afim de deixar o látex da manga escorrer, evitanto posterior manchas e desqualificação do produto. Naquele momento efetua-se o primeiro descarte, separando as mangas com defeitos altamente visíveis.

As mangas tipo exportação ficam uma média de 30 minutos naquele lugar antes de serem encaminhadas para o galpão de lavágem, seleção e embalágem.

Ao chegar os conteúdo dos contentores de mangas são despejados num tanque de água limpa e lavadas.

Depois de escovadas e secadas a ar, elas passam por um processo de seleção por tamanho. As colaboradoras pegam as mangas, descartando as defeituosa e colocando as de primeira qualidade em caixas de papelão reforçado.

O tamanho das mangas determina a quantidade de frutos por caixa e conseqüentemente o calibre.

Depois de escovadas e secadas, as mangas passam por um processo de seleção por tamanho

 

Cada caixa é pesada para garantir o peso mínimo de 4 kilos líquido.

Depois de escovadas e secadas a ar, elas passam por um processo de seleção por tamanho. As colaboradoras pegam as mangas, descartando as defeituosa e colocando as de primeira qualidade em caixas de papelão reforçado. O tamanho das mangas determina a quantidade de frutos por caixa e conseqüentemente o calibre.

Cada caixa é pesada para garantir o peso mínimo de 4 kilos líquido.

Depois formam-se as pallets, por calibre, cada pallet tendo 216 caixas. A madeira é tratada e de orígem sustentável, conforme as exigências do mercado europeu. As cantoneiras são de papelão.

As mangas sofrem então um pre-resfriamento num túnel para abaixar rapidamente a temperatura até 8°C, e as pallets são então armazenadas até a hora da chegada do container refrigerado. Esta temperatura será mantida até a chegada na Europa. Trabalhamos com containeres de 40 pés, que contém 20 pallets.

Depois de uma última inspeção do Ministério da Agricultura que fiscaliza todo o processo, a carreta leva as pallets para o porto de Natal, RN, que tem uma boa frequência de navios para a Europa.

A viagem demora 11 dias até Rotterdam, tempo necessário e suficiente para EOSTA, o nosso comprador, de efetuar as pré-vendas.

 
Considerações

Se a safra de 2008 foi prejudicada pela crise mundial que descapitalizou os atravessadores e distribuidores europeus, incapazes de obter empréstimos bancários, reduzindo a quase nada as importações, a safra de 2009 teve também alguns problemas.

O nosso único comprador há perto de 10 anos é a EOSTA na Holanda. A confiânça que temos com ela é tal que estamos vendendo em consignação. Devido a alta qualidade do nosso produto, podemos sempre receber os melhores preços do mercado, e não vender a preço fixo que limita estas oportunidades de oscilação do preço devida a oferta no mercado europeu que varia de semana em semana.

Devido a uma estação chuvosa farta e longa no sertão, a floração das mangueiras, provocada na agricultura orgânica exclusivamente pelo estresse hídrico, começou muito tarde e consequentemente a safra iniciou somente no fim de outubro. Como sempre as mangas orgânicas/biodinâmicas do Nordeste chegaram as primeiras no mercado europeu, mas já a partir de dezembro começaram a competir com mangas peruanas, com preços menores, deprimindo os preços. Por isso, fomos informados pelo nosso comprador que não queriam frutas após Natal !

Pela primeira vez, os compradores, tendo a oportunidade de escolher entre mangas certificadas orgânicas e biodinâmicas optaram para estas últimas, reconhecendo uma abrangência maior desta certificação.

Um outro problema é a procura do mercado europeu de tamanhos de mangas cada vez menores. Nada abaixo de 7, e alta valorização dos calibres 8, 9 e 10. Não podemos esquecer que o sonho de uma mangueira feliz, cultivada nos moldes biodinâmicos, é produzir frutos graúdos e bonitos, nada de pequeno !

Também, os preços obtidos não param de cair. Anos atrás atingimos até € 8,50 por caixa de 4 kilos, enquanto este ano o maior preço foi de € 6,50, o menor sendo de € 2,50.

 
 

Olhando para o futuro, devido a alta complexidade da logística, as exigências cada vez maior do mercado europeu, a burocracia, a fraqueza das divisas estrangeiras em relação ao R$, talvez não será mais conveniente apostar no mercado externo !

Isto já é o caso do mercado dos melões e melancias orgânicas, o mercado nacional oferecendo preços muito mais atrativos. Este ano, a Fazenda Tamanduá deixou de exportar para se dedicar a alguns clientes brasileiros que selecionaram as variedades e definiram conosco um cronograma de produção e entrega. De fato, produzindo durante o período seco graças a um eficiente sistema de irrigação por gotejamento, podemos programar perfeitamente a produção de cucurbitáceos. Outro fator importante, temos ciclos de produção mais curtos devidos ao clíma muito ensolarado e dias longos.

Estamos provavelmente caminhando para a construção de uma unidade de produção de polpa congelada, certificada no decorrer de 2010, que poderá processar melão, melancias além da manga.    

 

 

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