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Outubro/ 2004

BioFach - Antropologia - Apicultura

 
 
Fazenda Tamanduá na
BioFach América Latina 2004
Pela segunda vez, a Fazenda Tamanduá participou da BioFach no Rio de Janeiro.

Oriunda da rígida organização germânica, mas adaptada a realidade brasileira com um carinho e um profissionalismo irreprensíveis por Bia e Rosina, a segunda edição desta feira orgânica foi mais um sucesso de participantes e de freqüência.
 

Estande da Fazenda Tamanduá

 

Alguns slides da apresentação de Pierre Landolt

O estande da Fazenda Tamanduá, muito visitado, mostrou que a fatalidade da seca nordestina pode ser contornada e podemos participar do mercado nacional e internacional com produtos de qualidade, de alta aceitação e procura.  Tivemos a oportunidade de receber muitos amigos e personalidades, incluindo o Dr. Roberto Rodrigues, Ministro da Agricultura,  e também acertar os últimos detalhes da venda da nossa safra de manga Demeter/FLO para a Holanda com EOSTA, aproveitando a presença do seu fundador Volkert Engelsmann.

Pierre Landolt participou do ciclo do palestra sobre a dimensão social do movimento orgânico que despertou muito interesse pelos exemplos dados.


Havia desde grandes empresas como Agropalma no Pará até as quebradeiras de babaçu do Maranhão, passando pela empresa média e familiar da Fazenda Tamanduá.

Porém o momento de maior importância para a valorização dos produtos da Fazenda Tamanduá foi o Workshop Culinário : a Chef Flávia Quaresma do Carême Bistrô, utilizou produtos da Fazenda Tamanduá, desde nosso queijo reblochon até nossas mangas frescas e desidratadas.

A platéia vibrou e aprovou esta maravilhosa receita de Torta de Manga fresca e desidratada que é a seguinte :
 

Pierre Landolt na sua apresentação durante a BioFach América Latina 2004

 
 

TORTA DE MANGA FRESCA E DESIDRATADA
(
para 16 pessoas)

 
Ingredientes

Para a bavarois
de manga :
04      un   mangas frescas

260      g   Açúcar

500    ml   Creme de leite

12        g   Gelatina em folha

Para o sablé :

150     g   Farinha de trigo
12,5    g   Farinha de amêndoa
35       g   Glaçúcar
135     g   Manteiga
30       g   Gemas (02 unidades)
01       g   Sal
50       g   Manga desidratada

Para o coulis de
framboesa :

250     g   Framboesa (polpa)

50       g   Açúcar


 

Para a decoração

500     g   Morangos
(02 caixas)

70       g   Manga desidratada

Hortelã
 

 

Modo de fazer :
Para a bavarois de manga  -  Levar o açúcar ao fogo até obter um caramelo. Acrescentar a manga em fatias e cozinhar em fogo baixo por alguns minutos. Processar esta polpa no liquidificador ou em um processador e passar por uma peneira. Ainda morno, adicionar a gelatina já hidratada. Bater o creme de leite e incorporar a polpa delicadamente. Colocar esta mistura nos aros de inox e levar à geladeira até pegar consistência.

Para o sablé  -  Numa batedeira bater a manteiga e o glaçúcar. Adicionar a gema, mexer até incorporar. Acrescentar os ingredientes restantes e bater até obter uma massa homogênea. Abrir a massa com um rolo e com a ajuda do aro fazer os biscoitos. Repetir o processo quantas vezes for necessário. Assar os sablés em forno a 180° C e reservar.

Para o coulis de framboesa  -  Colocar a framboesa numa panela. Misturar com o açúcar. Deixar cozinhar por aproximadamente 20 minutos. Passar pelo liquidificador rapidamente e peneirar.

Para a montagem  -  Tirar a bavarois do aro, colocar no centro do prato sobre o sablé, decorar com os morangos, a manga desidratada e hortelã. Dispor o coulis de framboesa em torno da bavarois.

Flavia Quaresma preparando a torta com mangas da  Fazenda Tamanduá

 

Uma estagiária na Fazenda Tamanduá :
Etnografia do Desenvolvimento.

 

Gabrielle Wichser, Gabi, 24, estudante de Antropologia na Universidade de Fribourg na Suíça, ficou tres meses na Fazenda para efetuar o seu trabalho de tese. Pedimos para ela relatar as suas impressões para o Jornal Tamanduá. Aqui estão :

   

“Foi  mais ou menos há um ano atrás que eu pensei em realizar a minha tese no Brasil. Olhando hoje para trás, o que aconteceu parece quase um milagre, mas foi fruto de muito trabalho sério, estudos e preparação para organizar tudo isso. Durante os meus estudos de antropologia, política e meio-ambiente, sempre me dediquei a área do desenvolvimento.

Na minha opinião, para mudar as coisas para melhor, é bastante importante que a gente entenda profundamente e o mais possível, a vida da comunidade, a rede de relacionamento entre as diferentes pessoas, e dependência da política do país (educação, trabalho, saúde...), a situação climática e geográfica, a história, as possibilidades e os problemas da região em geral, antes de dar qualquer opinião.A Fazenda Tamanduá, situada no semi-árido do Nordeste brasileiro representava o ideal para entender melhor o impacto do desenvolvimento.

Depois de um encontro com Pierre Landolt na Suíça, de conhecer melhor a sua filosofia através de conversas com ele e de vários amigos dele, de uma preparação pessoal incluindo um curso de língua de quatro semanas na viva cidade de Salvador, aterrisei finalmente ali.

Gabi

 

Me parece que os três meses que se seguiram passaram num instante !Visitei os moradores da Fazenda Tamanduá para conhecer as suas vidas, histórias, crenças e pensamentos. Participando do trabalho deles, ( aprendi a andar de moto, a cavalo, a produzir queijo, a cuidar do gado, segui as diversas etapas do ciclo biodinâmico bem como dancei a tradicional quadrilha, entre outros), me foi possível obter uma visão da vida da Fazenda sob diversos ângulos, mas vista de dentro dela.

   

Gabi entrevistando e seus novos amigos

Do mesmo modo, mesmo focalizada na Fazenda, obtive muitas informações sobre a região do sertão e do Nordeste em geral, devido ao fato de que vários moradores vinham de outras fazendas e que as suas vidas eram cheias de mudanças de um lugar para outro.Os problemas enfrentados hoje pela região provêm de uma série muito intricada de elementos situados a micro, meso e macro níveis. É de interesse de cada um encarar o desafio de reunir estes diferentes elementos.

Na Fazenda, tive a chance de gravar 20 entrevistas de pessoas trabalhando nas mais diversas atividades.
As várias opiniões serão analisadas na minha volta a Suíça para entender o impacto e o significado do desenvolvimento trazido por Pierre a este lugar.

 

Do ponto de vista cientifico, o meu estágio foi muito interessante. Após receber tantos conhecimentos universitários, foi uma abertura muito enriquecedora poder  conhecer a realidade, estar confrontada com as tarefas diárias a serem resolvidas, tentar adaptar as teorias a realidade, bem como confiar nos meus pensamentos, quando realizei o quanto esta realidade era diferente do que eu tinha aprendido.O que foi  mais fantástico e impressionante foi o pessoal. Nunca pensei que era possível fazer tantos amigos em tão pouco tempo. Nunca sonhei ter pessoas abrindo as portas desta maneira, me convidando para uma conversa e querendo partilhar as suas vidas comigo.Isto é realmente a melhor coisa da pesquisa em antropologia social !”


Apicultura

 

O Dr. Ricardo Costa Rodrigues de Camargo, Coordenador do Núcleo de Pesquisas com Abelhas da EMBRAPA Meio-Norte, sediado em Teresina Piauí, foi convidado em Patos para efetuar duas palestras, uma no SEBRAE com e tema “ Criação de abelhas :uma alternativa viável para a região” e a outra no Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade Federal de Campina Grande, com  o tema “ Criação de abelhas na geração da qualidade de vida”.

   

A freqüencia excepcional destes dois eventos, demonstrou que esta atividade desperta um grande interesse por parte dos produtores rurais da região. O Dr. Ricardo sublinhou que o Brasil é um centro de excelência em termos de estudo sobre a apicultura (exploração da abelha africanizada, apis mellifera) e da meliponicultura (exploração das abelhas nativas sem ferrão, melíponas) e que a EMBRAPA tem feito um imenso trabalho de diagnostico e divulgação de técnicas apropriadas. Ele contou a história da africanização progressiva das abelhas vindas da Europa nos porões dos navios portugueses, apresentou as técnicas praticadas no Nordeste, lembrando principalmente os problemas da alimentação necessária durante o período seco. Ele apresentou dados mercadológicos mostrando o grande potencial do mel brasileiro tanto no mercado nacional como internacional.

Flavio Medeiros e Dr. Ricardo Costa Rodrigues de Camargo

 

De fato, as abelhas africanizadas tem uma maior resistência a pragas e doenças que afetam as abelhas no resto do mundo, implicando um uso de produtos defensivos quase nulo, garantindo uma qualidade excepcional. Lamentou que no Brasil o mel seja mais considerado como remédio do que alimento e chamou a atenção de todos na necessidade de produzir um mel de alta qualidade. Finalmente ele enfatizou o papel da apicultura como excepcional fonte complementar de renda dos sertanejos.

Apesar da sua agenda muita cheia, o Dr. Ricardo teve tempo de visitar a Fazenda Tamanduá em companhia do Professor Fernando César Vieira Zanella. Seguidor do movimento biodinâmico brasileiro, ele gostou da aplicação da noção de “organismo agrícola” praticada na fazenda, diversificando as atividades e interligando e integrando todas as atividades agro-pastoris. Ele visitou vários apiários e a coleção de melíponas bem como a Casa do Mel, fiscalizada pelo SIF.

Com interesse ele tomou conhecimento do Projeto de apicultura orgânica “Apis Sertão” desenvolvido em parceria entre a Fazenda Tamanduá e o Projeto Cooperar na região do Espinharas. Este beneficia 20 pequenos produtores de quatro municípios vizinhos. Cada produtor recebeu dez caixas, além de orientações e acompanhamento permanente de Flávio Alves Medeiros, engenheiro agrônomo formado na UFPB, ligado a Fazenda Tamanduá. Apesar de estar somente no fim da sua fase de implantação, o entusiasmo dos novos apicultores demonstrou que a visão do Dr. Ricardo e os temas das suas palestras reflitam a realidade : a apicultura é uma opção econômica viável para a nossa região !


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