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FairTrade |

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No dia 13 de agosto
a Fazenda Tamanduá realizou a eleição do Comitê de Comércio Justo,
cumprindo uma exigência do processo de certificação do selo FLO. Às 14
horas, 68 trabalhadores de todas as áreas da Fazenda, inclusive
terceirizados, se reuniram no salão da casa que abriga o escritório para
eleger seus representantes.Como facilitadoras do processo estavam
Iranise Pedro, psicóloga com experiência de 6 anos no trabalho com
comunidades e Gabriela, estudante de antropologia, que realizou uma
pesquisa sobre os impactos do desenvolvimento na área rural com as
famílias da Fazenda Tamanduá e do entorno.
Começamos com um
diálogo sobre o que é Comércio Justo, relembrando o que já havia sido
discutido na reunião de janeiro. No início o pessoal estava um pouco
tímido. Pierre participou esclarecendo a história e as principais
características do Comércio Justo. Logo em seguida, expôs sua
preocupação sobre as expectativas do pessoal. Alertou para a
possbilidade de o dinheiro resultante da venda das mangas FairTrade não
ser muito, já que devido ao fato das mangas da Fazenda já serem
orgânicas, poucos estavam dispostos a pagar duas vezes mais: pelo
atributo orgânico e pelo comércio justo... |
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Gabriela e
Iranise durante a reunião |
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O clima de
participação começou a esquentar. Ao serem perguntados para que
serve um comitê? Nas palavras de nosso amigo Roberto, que trabalha
na oficina: “Para discutir as coisas em benefício da comunidade.
Discutir os problemas e o que podemos fazer.”
Conversamos
sobre as funções do Comitê, enfatizando a importância da
conscientização dos eleitos, que deveriam estar representando a
vontade de todos e agindo em benefício da comunidade e não decidir
com base no que eles achavam melhor. Falamos também sobre a
importância de que o Comitê fosse o mais representativo e diverso
possível, com representantes de todas as áreas da Fazenda, incluindo
os trabalhadores temporários e as mulheres. Por fim, destacamos que
além da administração do dinheiro, o comitê representava uma
oportunidade de estarem juntos, conversando sobre suas vidas,
pensando e criando alternativas em grupo. |
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Todos
concordaram e expressaram sua alegria. Passamos então ao que
interessava: a eleição. A primeira tentativa proposta foi que se
dividissem em grupos e elegessem 7 candidatos. Desses eles
escolheriam 5. Depois de conversarem um pouco em pequenos grupos,
alguns propuseram que todas as áreas da Fazenda participassem, cada
uma propondo 3 candidatos. Assim se fez. Em eleição direta,
levantavam a mão para eleger somente um representante por área: o
curral ficou representado por Rubens, as frutas desidratadas por
Paula, a queijeira por Ismênia, os trabalhadores rurais de fora da
Fazenda por Claudio, os trabalhadores rurais de dentro da fazenda
por George, a Marcenaria por Adelino, a administração por Manoel , a
oficina por Roberto e a portaria por Antonio. Segundo as instruções
de Iranise, agora eles deveríam escolher 5 dos 9 representantes
eleitos para compor o Comitê. Gabriela propôs que cada um votasse em
dois nomes da lista. Depois de explicado o processo partimos para a
ação. |
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O resultado: tinham mais votos do que o dobro das pessoas na sala.
A conclusão é que teve gente que não entendeu e levantou a mão mais
de 2 vezes. A sugestão deles foi levantar a mão para quem achassem
que deveria fazer parte do comitê, livremente. Os 5 mais votados
formariam o comitê. Perguntados se se sentiam bem representados
pelos 5 eleitos, se tinham certeza dos nomes que elegeram, a
resposta foi sim, sim, sim. Todos bateram palmas para os seus
representantes e saíram todos para tomar o refrigerante que os
aguardava na varanda.
Uma sensação de
algo não estava certo pairava no ar e os cochichos pareciam
confirmar essa hipótese. Depois de muita conversa sobre o processo,
Iranise e Gabriela desconfiaram do ponto que fez as coisas
desandarem: a exigência de serem 5 nomes era externa e sem motivo.
Não tinha saído do grupo. Talvez, para esse grupo, o mais
representativo fosse ter um comitê com 9 pessoas, em que estivessem
representadas todas as áreas da Fazenda.
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No dia seguinte, Iranise visitou cada área
da Fazenda fazendo a seguinte pergunta: se ontem você pudesse ter
escolhido entre um comitê formado pelas 5 pessoas que vocês elegeram ou
um comitê formado pelas 9 pessoas eleitas anteriormente, o que você
preferiria? O que você acha que representaria melhor os seus interesses?
A grande maioria disse que escolheria ficar com os 9, um representante
de cada área da Fazenda. Com o consentimento da maioria, decidiram que o
comitê passaria a ser integrado pelas 9 pessoas. O Comitê de Comércio
Justo da Fazenda Tamanduá é composto por: Rubens, Paula, Ismênia,
Claudio, George, Adelino, Manoel, Roberto e Antonio!
Iranise Pedro |
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Fazenda Tamanduá na BioFach América Latina |
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De 8 a 10 de setembro estará acontecendo
no Rio de Janeiro a BioFach América Latina. A Fazenda Tamanduá
estará presente como expositor e palestrante também.
No dia 9 de
setembro, durante o painel Aspectos Sociais da Agricultura
Orgânica, Pierre Landolt estará apresentando o Caso da Fazenda
Tamanduá, com foco na responsabilidade social. |
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