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Setembro/
2004

Quadrilha e Mercado Justo na Fazenda Tamanduá
 

10 Anos mostrando a nossa cultura :
a Quadrilha 2004 foi um sucesso.

Sempre organizada fora das épocas juninas, a Quadrilha do Arraiá Tamanduá é um momento aguardado com excitação pela comunidade da Fazenda. Com muita curiosidade para todos, já que todo ano traz roupas e coreografias novas e com muita ansiedade para os componentes da quadrilha, já que querem superar o sucesso do ano passado. Grande responsabilidade : este ano marca o 10° aniversario da fundação da Quadrilha !

Comportando 16 pares, tendo em lugares de destaques Maria Bonita e Lampião, o noivo e a noiva, duas ciganas e muitos caboclos, os ensaios começaram logo no fim de junho. Muito trabalho e dedicação, imaginação e carinho, sob a batuta incansável de Eliete permitiram uma apresentação perfeita no sábado 14 de Agosto.

Quadrilha do Arraiá Tamanduá

 

A  Quadrilha, um pouco mais curta do que os anos passados, foi muito bonita : com as meninas vestidas de roupas vermelhas e branco, todos efetuaram com muita jubilação e maestria figuras originais e inéditas, empolgando a platéia, feliz de reconhecer um filho ou uma filha, um namorado ou namorada, todos com sorrisos de felicidade estampados no rosto.

Um júri atribui 3 taças : uma ao casal mais animado que foi para Rafaela e Diego, uma para a dama mais animada que foi para Meirinha e ao cavaleiro mais animado que foi Wagner. Foi então o momento de homenagear e agradecer Eliete, que recebeu emocionada uma placa gravada como lembrança destes momentos de felicidade que ela proporcionou a todos, integrantes da quadrilha e da comunidade.  

 

A alegria de uma grande festa!

Após a quadrilha, começou o forró com duas bandas se revezando : o “Trio Tamanduá”
 e o seu verdadeiro som de forró pé de serra, e “Matéia do Forró” de Santa Terezinha.

Com um som de qualidade, um tempo clemente e muito bom humor todas as condições eram reunidas para uma grande festa.

 

Churrasquinhos, milho assado e cozido, canja de galinha e sanduíches garantiam uma alimentação perfeita, enquanto cerveja, rum e coca-cola desalteravam os forrozeiros. Apesar da multidão, com pessoas vindo das comunidades vizinhas e de Patos, as cadeiras e mesinhas instaladas foram suficientes já que a quadra de dança ficou lotada o tempo todo.

O prefeito de Santa Terezinha, o Dr. José Gayoso, bem como os três candidatos a prefeitura fizeram questão de prestigiar a festa.O calmo ambiente familiar e descontraído, a alegria geral marcaram este aniversário da décima Quadrilha do Arraia Tamanduá,  deixando saudades em todos e um gostinho de “quero mais” !


FairTrade

 

No dia 13 de agosto a Fazenda Tamanduá realizou a eleição do  Comitê de Comércio Justo, cumprindo uma exigência do processo de certificação do selo FLO. Às 14 horas, 68 trabalhadores de todas as áreas da Fazenda, inclusive terceirizados, se reuniram no salão da casa que abriga o escritório para eleger seus representantes.Como facilitadoras do processo estavam Iranise Pedro, psicóloga com experiência de 6 anos no trabalho com comunidades e Gabriela, estudante de antropologia, que realizou uma pesquisa sobre os impactos do desenvolvimento na área rural com as famílias da Fazenda Tamanduá e do entorno.

Começamos com um diálogo sobre o que é Comércio Justo, relembrando o que já havia sido discutido na reunião de janeiro. No início o pessoal estava um pouco tímido. Pierre participou esclarecendo a história e as principais características do Comércio Justo. Logo em seguida, expôs sua preocupação sobre as expectativas do pessoal. Alertou para a possbilidade de o dinheiro resultante da venda das mangas FairTrade não ser muito, já que devido ao fato das mangas da Fazenda já serem orgânicas, poucos estavam dispostos a pagar duas vezes mais: pelo atributo orgânico e pelo comércio justo...

   

Gabriela  e Iranise durante a reunião

O clima de participação começou a esquentar. Ao serem perguntados para que serve um comitê? Nas palavras de nosso amigo Roberto, que trabalha na oficina:  “Para discutir as coisas em benefício da comunidade. Discutir os problemas e o que podemos fazer.”

Conversamos sobre as funções do Comitê, enfatizando a importância da conscientização dos eleitos, que deveriam estar representando a vontade de todos e agindo em benefício da comunidade e não decidir com base no que eles achavam melhor. Falamos também sobre a importância de que o Comitê fosse o mais representativo e diverso possível, com representantes de todas as áreas da Fazenda, incluindo os trabalhadores temporários e as mulheres. Por fim, destacamos que além da administração do dinheiro, o comitê representava uma oportunidade de estarem juntos, conversando sobre suas vidas, pensando e criando alternativas em grupo.

 

Todos concordaram e expressaram sua alegria. Passamos então ao que interessava: a eleição. A primeira tentativa proposta foi que se dividissem em grupos e elegessem 7 candidatos. Desses eles escolheriam 5. Depois de conversarem um pouco em pequenos grupos, alguns propuseram que todas as áreas da Fazenda participassem, cada uma propondo 3 candidatos. Assim se fez. Em eleição direta, levantavam a mão para eleger somente um representante por área: o curral ficou representado por Rubens, as frutas desidratadas por Paula,  a queijeira por Ismênia, os trabalhadores rurais de fora da Fazenda por Claudio, os trabalhadores rurais de dentro da fazenda por George, a Marcenaria por Adelino, a administração por Manoel , a oficina por Roberto e a portaria por Antonio. Segundo as instruções de Iranise, agora eles deveríam escolher 5 dos 9 representantes eleitos para compor o Comitê. Gabriela propôs que cada um votasse em dois nomes da lista. Depois de explicado o processo partimos para a ação.


O resultado:  tinham mais votos do que o dobro das pessoas na sala. A conclusão é que  teve gente que não entendeu e levantou a mão mais de 2 vezes. A sugestão deles foi levantar a mão para quem achassem que deveria fazer parte do comitê, livremente. Os 5 mais votados formariam o comitê. Perguntados se se sentiam bem representados pelos 5 eleitos, se tinham certeza dos nomes que elegeram, a resposta foi sim, sim, sim. Todos bateram palmas para os seus representantes e saíram todos para tomar o refrigerante que os aguardava na varanda.

Uma sensação de algo não estava certo pairava no ar e os cochichos pareciam confirmar essa hipótese. Depois de muita conversa sobre o processo, Iranise e Gabriela desconfiaram do ponto que fez as coisas desandarem: a exigência de serem 5 nomes era externa e sem motivo. Não tinha saído do grupo. Talvez, para esse grupo, o mais representativo fosse ter um comitê com 9 pessoas, em que estivessem representadas todas as áreas da Fazenda.
 

 

No dia seguinte, Iranise visitou cada área da Fazenda fazendo a seguinte pergunta: se ontem você pudesse ter escolhido entre um comitê formado pelas 5 pessoas que vocês elegeram ou um comitê formado pelas 9 pessoas eleitas anteriormente, o que você preferiria? O que você acha que representaria melhor os seus interesses? A grande maioria disse que escolheria ficar com os 9, um representante de cada área da Fazenda. Com o consentimento da maioria, decidiram que o comitê passaria a ser integrado pelas 9 pessoas. O Comitê de Comércio Justo da Fazenda Tamanduá é composto por: Rubens, Paula, Ismênia, Claudio, George, Adelino, Manoel, Roberto e Antonio!

Iranise Pedro


Fazenda Tamanduá na BioFach América Latina

De 8 a 10 de setembro estará acontecendo no Rio de Janeiro a BioFach América Latina. A Fazenda Tamanduá estará presente como expositor e palestrante também.

No dia 9 de setembro, durante o painel Aspectos Sociais da Agricultura Orgânica, Pierre Landolt estará apresentando o Caso da Fazenda Tamanduá, com foco na responsabilidade social.


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