P r a t i c a n d o    a    s u s t e n t a b i l i d a d e


Responsabilidade Ambiental

Uma grande preocupação da Fazenda Tamanduá é a preservação do frágil meio ambiente do sertão nordestino, da sua flora e fauna. Isto faz que mais de 900 hectares sejam preservados, perto de um terço da sua área, entre a reserva legal e uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 325 hectares criada em julho de 1998.

Esta RPPN é “representativa de ecossistemas da Caatinga, fauna e flora típicas da região e relevante beleza cênica” como indica o Titulo de Reconhecimento do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, IBAMA.

O equilíbrio entre a atividade econômica, a preservação da natureza e uma paisagem agradável, sempre foi a nossa meta principal desde o início das atividades agropastorís da Fazenda. A caça foi proibida nos primeiros dias. Hoje da para sentir os efeitos desta medida, já que reapareceram na fazenda o veado, o gato mirim e o gato vermelho. As raposas, os saguis os tatus e o guaxinim fazem parte da vida cotidiana. Da mesma maneira, codornas e codornizes, o juriti e o asa branca, pássaro emblemático do Nordeste, antigamente quase extintos, são freqüentemente vistos e ouvidos no mato. 

Gado da Fazenda Tamanduá à sombra da árvore cumarú

Graças a uma fiscalização rígida e permanente, a arribaçã, que continua muito caçada na região, encontrou aqui um asilo de paz, mas infelizmente até agora não resolveu por os seus ovos na fazenda. Nos açudes, o pato de crista, a marreca, o irerê e o jaçanã prosperam. O lendário acauã, que se diz chamar a seca, voltou a emitir o seu canto estranho e angustiante.

A Fazenda Tamanduá se tornou um refúgio, um santuário para a fauna silvestre, e tanto o IBAMA, o Corpo de Bombeiros de Patos, como a Polícia Estadual e Federal soltam aqui mamíferos e pássaros apreendidos em blitz nas feiras da região. Dispomos de uma pequena infra-estrutura que permite tratar os animais mais fracos ou feridos antes de reintroduzí-los no seu biotipo, sob o acompanhamento de um veterinário. As técnicas de agricultura implantadas incluem a luta contra a erosão, com o plantio em curvas de nível deixando faixas de vegetação nativa.

As técnicas de agricultura implantadas incluem a luta contra a erosão, com o plantio em curvas de nível deixando faixas de vegetação nativa. Mas a melhor maneira de preservar é de conhecer a área onde atuamos.

Isto é feito com seriedade científica ;três trabalhos foram realizados na fazenda sendo que dois foram publicados :

Em 1999, o primeiro trabalho foi o levantamento das “Aves da Fazenda Tamanduá” efetuado pela Dra. Rachel Maria de Lyra Neves e o Dr. Wallace Rodrigues Telino Júnior. Foram registrados 146 espécies de 43 famílias de aves das quais 12 são consideradas endêmicas no Brasil. O sertão não é portanto o deserto que se pode pensar ! Este trabalho deu origem a uma publicação.

Tijerila

Caburé

Canário-da-terra verdadeiro

Também em 1999 foi efetuado um trabalho sobre os mamíferos da Fazenda Tamanduá, realizado pelo Dr. Antônio Christian de A. Moura. Este trabalho,ainda não foi  publicado.

Finalmente em 2000 foi efetuado um “Levantamento Fitossociológico” da RPPN pelo Engenheiro Florestal Lúcio Valério Coutinho de Araújo, Professor da Universidade Federal de Campina Grande, Campus de Patos. Foram identificadas 16 famílias botânicas e 25 espécies de indivíduos.

Jurema

Pau d'arco

Cumarú

Um outro trabalho de destaque é a criação em cativeiro do mocó (kerodon rupestris, da família dos cavídeos) afim de devolvê-lo posteriormente ao seu ambiente natural, repovoando assim algumas áreas tradicionais do seu habitat graças a esta reintrodução. De fato o mocó, pequeno roedor nativo, típico das regiões rochosas do semi-árido, foi dizimado e quase desapareceu, resultado de uma caça intensiva por causa da fama de se tratar de uma carne “forte” e mesmo afrodisíaca, bem como, do uso do seu estômago como coalho para a produção de queijos.

Mocós

O IBAMA certificou em 2000 a Fazenda Tamanduá como Criadora de Espécies da Fauna Silvestre Brasileira para fins conservacionistas.

Atualmente, com o apoio do IBAMA, de uma bióloga, de veterinários e estudiosos, estamos procurando elaborar um protocolo de soltura afim de ter as bases científicas para efetuar esta primeira reintrodução. Para este fim estamos seguindo as normas internacionais do Grupo de Especialista de Reintroduções da Comissão de espécies Sobreviventes da IUCN, aprovado em 1985 em Gland, Suíça.

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Fazenda Tamanduá
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